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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A tsunami ou o tsunami?

Houaiss diz que é masculino.

Mas não vem de onda? E onda não é feminino?

Vai entender.

Ah, tsunami vem do Japonês: tsu (porto) e nami (onda ou mar). Logo, é a onda do porto? Talvez seja a onda que quebra no porto. Ou que quebra o porto...

E aí deixo vocês com a 'Grande onda de Kanagawa', do mestre Hokusai.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

irá + infinitivo

"O governo irá vistoriar todas as escolas até o fim do ano".

Há algo de errado na frase acima?

Não, mas temos uma praga.

Trata-se do irá + infinitivo, no caso, o irá vistoriar.

Temos bilhões de espécimes dessa praga diariamente por todos os lados. Este blog já cansou de repetir que é contra fundamentalismos e que apenas sugere o bom uso da norma culta. Mas, para algumas ervas daninhas, temos de usar a força.

Existem, basicamente, duas formas para indicar uma ação no futuro.

Uma é a conjugação normal. Eu faço, eu farei.

Outra é a composta. A fórmula nos ensina pegar o verbo ir e o infinitivo do verbo da ação.

Acontece que a forma composta se dá no presente do verbo ir, não no futuro.

Quando escrevemos irá fazer, iremos dormir, irão visitar, estamos, grosso modo, levando a ação ao futuro duas vezes.

Ainda que eu não tenha visto ninguém afirmar que a construção em foco esteja errada, lembro que é muito mais bonito (e correto) escrever vou fazer, vamos dormir, vão visitar.

domingo, 13 de abril de 2008

Procuram-se respostas...

...para a questão do procuram-se.


Este, tal como o pesadelo da flexão do infinitivo, é uma afta da língua. Encontramos pás de exemplos errados: Procura-se médicos, vende-se casas, vê-se soluções.


Ah, então toda frase que tiver o -se vai para o plural?


Lamento dizer que nada no português é simples.


E digo mais: no caso do procura-se, não há uma 'fórmula', uma dica. Há, sim, uma lógica - mas ela só funciona se os fundamentos do idioma estiverem bem sólidos.


Em outras palavras, não dá para escapar da gramática.


Mas ela não é tão má quanto parece!


Então vamos à luta, para tentar não mais errar isso.


O primeiro passo é identificar que se é esse. Essa palavrinha pode assumir várias funções, mas podemos nos limitar a apenas duas, o que realmente nos interessa.


O se pode nos dizer que não há sujeito na frase. Uma dica preciosa para achar o sujeito numa frase é pegar o verbo principal e perguntar quem ou o quê.

Vamos começar com um exemplo fácil.

O padre proferiu um duro sermão no púlpito.

Há, aqui, um verbo: proferir. Usando a fórmula, a gente pergunta: quem proferiu?

O padre. Taí o sujeito da frase.

Agora, vamos à próxima:

Vive-se maravilhosamente aqui.

Quem vive?

A frase não diz. O sujeito está indeterminado.

Outra:

Precisa-se de empregados qualificados para a obra da ponte.

Ih... e agora? Quem precisa? A frase, mais uma vez, não diz. Acha que é fácil? Então vamos lá:

Ainda dá tempo para se tomarem algumas providências.

Frasezinha feia, não? Mas o duro é que a frase está correta.

Confesso que peguei pesado, porque se trata de uma oração reduzida, mas isso é gramática demais. Vamos voltar à regra da pergunta: o que toma? A resposta, porém, aparece quando a gente muda um pouquinho a questão. O que é tomado?

Viram? Taí um lindo exemplo de voz passiva. Você se lembra: na voz ativa, a coisa faz; na passiva, a coisa é feita. Existe uma forma mais curta de escrever isso. Faz-se a coisa.

Só que, na voz passiva, existe um sujeito. No caso acima, a coisa é sujeito de ambas as frases.

Como o sujeito manda na frase, devemos segui-lo.

Conserta-se janela. O que é consertado? A janela. E se a gente pôr janelas? Aí fica assim:

Consertam-se janelas.

Tá bom, vocês querem saber se tem uma fórmula. Ter, tem, mas vai depender de uma... decorebinha. Nada que com o uso contínuo você não guarde. É a regência. Ou a regra do quem coisa, coisa alguma coisa.

Falemos de regência depois. O pulo do gato, então, é identificar na frase o quem ou o quê.

1) Demitiu-se o diretor porque se elevaram os gastos na empresa.
2) Compraram-se várias ações ontem. Implicou-se em ótimos resultados.

Vejam que no exemplo 1 temos o diretor foi demitido e os gastos foram elevados. Temos aí duas vozes passivas. Já no exemplo 2, apesar de várias ações foram compradas, temos o em, que não nos deixa dúvida: os ótimos resultados são complemento, e não sujeito, que está oculto. Afinal, o que implicou? Quem implicou? Não foram os resultados. Foi alguém ou algo indeterminado.

O tema é espinhoso. Voltaremos a ele...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O pesadelo

Este assunto foi um pedido da Gisele. Este post, então, é dedicado a ela.

Toda disciplina escolar tem a sua hora do pesadelo. É aquele assunto que desafia o mais obstinado CDF. Em Química, por exemplo, eu sofria nas delicadas e instáveis equações do cálculo estequiométrico. Na Matemática, penava nas contas da geometria analítica espacial.

Qual seria o pesadelo em Português? Acredito que haja outras dificuldades nas áreas mais específicas da matéria, mas no campo experimental, no dia-a-dia, arrisco a dar um palpite: é a flexão do infinitivo. Traduzindo:

Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?

Não há gramático nesta terra que crave uma regra. Os mais notáveis, como Gama Cury, Ernani Terra, Paschoal Cegalla, Pasquale e Sérgio Nogueira, concordam num ponto: depende do ouvido.

Quer dizer que vale tudo?

Não necessariamente. Casos cascudos como o exemplo acima são raríssimos, mas são comuns erros iguais a este:

A escola autorizou os alunos a viajarem para Minas Gerais.

O mesmo povo que prega a avaliação do ouvido (ou a eufonia) nos casos raros é taxativo em relação à frase acima: é errado, sim. Feio. Um deslize.

Vamos então tentar pôr fim a esse mar de dúvidas.

FICA NO SINGULAR...

1 - Quando o verbo é composto.

Reivindicamos estudar. Elas pretendem comprar a loja inteira!

2 - Quando o sujeito é o mesmo.

Eles recorreram à Justiça para derrubar a liminar. Nós não temos motivos de nos orgulhar.

3 - Quando o verbo complementa outro verbo, um substantivo ou um adjetivo, ou quando complementa uma voz passiva.

Todos têm permissão de entrar no templo. Nós nos arrepiamos com a emoção de ver o show. Os candidatos estão proibidos de levar celulares. Nós ficamos cansados de ouvir falar de tanta corrupção. Os grevistas desistiram de negociar e farão piquetes, mas a empresa autorizou os gestores a cortar o ponto dos manifestantes.

VAI PARA O PLURAL...

1 - Quando há sujeito próprio.

O professor permaneceu de olho, mas não viu os alunos colarem. Os pesquisadores garantiram serem nocivos os repelentes à base de cloro.

2 - Para evitar dúvidas.

O presidente convocou os minstros para (*) sobre as novas medidas. Falar ou falarem? Depende. Se quem vai falar é o presidente, fica no singular. Se são os ministros, é falarem.

Agora é que a porca torce o rabo.

3 - Quando é voz passiva com verbo de ligação.

Lembram-se do exemplo lá de cima?

Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?

Não tem bem uma regra. A coisa é muito subjetiva, depende demais da avaliação da frase. No exemplo acima, a noção de voz passiva tem de estar muito viva na cabeça da pessoa. Lembram? A polícia prendeu os estudantes. Os estudantes foram presos pela polícia. Até aí, tudo bem. O problema é identificar isso no meio da frase, com um infinitivo, ainda mais amparado pela premissa de que não há norma acerca disso.

Existe um efeito-caneca para isso. Basta desmembrar a frase com um que:

Os estudantes fugiram para que não fossem presos.

Vêem como aí a voz passiva brota como cogumelos depois de uma tempestade?

Os trabalhadores aprovaram as reivindicações para serem cobradas na próxima reunião.

A banca examinadora preparará neste fim de semana os testes para serem aplicados mês que vem.

Outra dica: quando o termo em dúvida não tiver um plural anterior, como foi o caso do último exemplo, o infinitivo vai para o plural.

O assunto é polêmico, os casos, raros; mas para mim o tema detém o título de mais espinhoso do idioma. Por isso, deve ser estudado e debatido.

Espero não ter cansado vocês.

sábado, 22 de março de 2008

Vítima fatal

Vítima fatal é o caraleo!

Acredito ser essa uma das armas de destruição em massa que uns poderosos estão usando para nos dizimar. Eles apelam para uma lavagem cerebral a fim de espremer, dentro da palavra, um sentido que para mim não tem sentido. Mas pode ver: todo dia alguém comete uma vítima fatal.

O Houaiss diz que fatal é quem mata, não quem morre! Já o Aulete cedeu às pressões e admite o fatal ativo e o fatal passivo.

Meu argumento é um só: você usa vítima mortal? Ainda que se recorra à expressão restos mortais, o termo indica algo tenebroso, que tira a vida.

Para mim, a única chance de ter uma vítima fatal é quando um cara está limpando a janela, perde o equiílibrio e cai do décimo andar bem em cima de uma senhorinha de andador, matando-a na hora.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Pegadinha malcriada

Confesso que titubeio em relação a palavras que começam com mal-. Têm hífen? São coladas? O jeito é ir ao dicionário.

Contribui para essa dúvida uma pegadinha danada. Malcriado, por exemplo. É o indivíduo que faz muita... malcriação?

Pois nem toda a peraltice do mundo há de fazer uma coisa dessas. O correto, segundo os alfarrabistas, é má-criação.

E vocês verão que faz sentido. Qual o contrário de malcriado? Bem criado. Mas não existe bem criação, existe boa criação.

Querem ficar ainda mais confusos? O dicionário registra malcriadez. Não, as regras não foram mandadas às favas. Isso daí é uma derivação própria...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sujeito quem?

Muita gente ainda não sabe usar vírgula.

Um dos Gatos com J mais comuns é separar sujeito do predicado com vírgula.

Os alunos, se esqueceram de entregar o trabalho a tempo.

Olhando assim, vocês possivelmente exclamarão:

- Mas não é possível!

A língua, meus caros, tem suas armadilhas.

Quem nunca cometeu infrações de trânsito em toda a vida, merece um prêmio.

Quanto maior o sujeito, maior a chance de cair uma vírgula no lugar errado. E sujeitos-quem são mestres em induzir a pessoa ao erro.

Isso porque normalmente um sujeito-quem pode vir cheio de penduricalhos, como no exemplo que dei acima. A leitura da frase também sugere uma 'pausa' que faz a mão coçar para enfiar a maldita vírgula.

O assunto não se esgota aqui. Mas vamos combinar: sujeitos-quem, assim como todos os outros, não pedem vírgula antes do predicado.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Dito cujo

Esta é uma das pragas mais recentes.

Os motoristas que tiveram o direito de dirigir suspenso deverão entregar a carteira de habilitação imediatamente.

Os manifestantes tiveram negado o pedido de isenção pelo juiz.

Há algo de errado nessas frases? Gramaticalmente, não.

Mas é feio para caraleo.

Isso porque inventaram, nos últimos anos, mais um uso para o verbo ter. Até bem pouco tempo atrás, a gente o empregava como sinônimo de possuir. Ele também serve como verbo auxiliar. Agora, é metido como muleta numa construção que considero no mínimo preguiçosa.

Para evitá-la, vocês devem inverter a frase ou usar uma palavra execrada por muita gente: cujo.

Eu não tenho nada contra cujo, pelo contrário: acho até um termo elegante, sobretudo quando vem ladeado de preposições. O concurso a cuja premiação eu me referi aceita inscrições até amanhã. Lindo, né?

Ainda que eu não tenha nas mãos uma sentença condenando à morte essa construção, nem um argumento inquestionável o suficiente para bani-la, peço que reconsiderem e dêem mais carinho ao dito cujo.

Em tempo! Vejam como ficariam as frases lá de cima sem essa praga:

Os motoristas cujo direito de dirigir foi suspenso deverão entregar a carteira de habilitação imediatamente.

O juiz negou o pedido de isenção feito pelos manifestantes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Um cacófato para Fidel

O cacófato é uma das pragas mais divertidas da língua. Todos nós a aprendemos no colégio. Quem é jornalista também a conhece muito bem.

Surge um cacófato quando a junção de duas ou mais palavras produz outra, de baixo calão, ou feia mesmo. Há um certo ranço de preciosismo em alguns casos, mas em outros não dá para negar: é esquisito paca.

O meu preferido?

- O secretário foi demitido por razões que só o governador sabe.

Outro clássico:

- O verão tem tudo o que o carioca gosta!

Antigamente eu era obrigado a evitar cocôs (os ladrões roubaram cinco cobertores) e outras excrescências. Hoje em dia eu fiquei mais tolerante, até porque muita gente nem percebe que tropeça em cacófatos.

Mas existe um ainda mais clássico, proposital, e ancião: tem uns 45 anos, quase a duração do comando-em-chefe de Fidel Castro em Cuba.

(Ainda que eu não o admire politicamente, não posso negar que se trata de um ícone)

Era 1962. Auge da Guerra Fria. Cuba era a casa de veraneio da União Soviética, que bancava a grande aventura socialista na América Caribenha. Aí o presidente Kennedy descobriu, primeiro por agentes da inteligência, depois por fotos mesmo, que a ilha tinha recebido um respeitável arsenal de mísseis que podiam fazer estragos em Miami e Houston.

Historiadores elegem este o momento mais crítico da Guerra Fria, em que ficou claríssima a ih!minência de uma nada gentil troca de bombas — já que o Tio Sam também tinha armas no quintal do inimigo, no caso a Turquia.

Quando o mundo se preparava para uma batalha de verdade, com destruição em massa, e Fidel, uma invasão ianque ou algo pior, Kennedy e Krushchev selam um acordo, e a paz volta aos níveis de banho-maria.

Mas, até o desfecho, muita gente aqui no Brasil apostava num bombardeio das cidades do sul da costa leste dos Estados Unidos. Outros afirmavam que Fidel era um frouxo e não teria coragem de atacar o vizinho.

Dessa polêmica surgiu, aos sabores de uma crise mundial, um cacófato gaiato:

- Eu quero ver Cuba lançar!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Mas e todo mundo?

Mas e todo mundo? Não seria todo o mundo?

Aí entra o bom-senso. Mundo já assumiu há muito tempo a idéia de gente. Além do mais, mesmo se a gente pegar ao pé-da-letra, a expressão serviria dos dois jeitos: todo o mundo seria a Terra toda, a população toda; todo mundo, por sua vez, indicaria todos os planetas, todas as gentes, todos os extraterrestres, seres abissais, anjos etc...

Aliás, todo o mundo é feio. Prefira todo mundo.

Todos no seu devido lugar

Mais uma afta da língua.

Todo mundo erra todo.

Concordo que é uma praga espinhosa.

A grande questão está nos termos todo país e todo o país. Existe alguma diferença? Não é a mesma coisa?

Não, não é.

Quando a gente escreve todo país, a palavra todo assume o significado de qualquer.

Na outra expressão, todo o país, estamos nos referindo ao país inteiro.

Mas todo mundo erra. É comum a gente encontrar algo do tipo Todos alunos ficaram para a prova final. Neste caso, a gente precisa escrever Todos os alunos... No plural, isso não funciona. Está errado.

O problema aparece em frases como essa: Toda turma ficou de recuperação. E agora, José? O que o mané quis dizer? Da maneira como está, a gente tem de adivinhar. É a turma inteira ou é qualquer turma? Ou, ainda, todas as turmas?

Entra em ação o efeito-caneca. Não lembra o que usar? Troque. Use inteira, se for o caso, ou qualquer. Para eliminar as dúvidas, ponha todos sempre depois da palavra: os alunos todos, o colégio todo, o baile todo...

Com todos no seu devido lugar, todo mundo deixa de errar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Tempo de duração

Vamos combinar?

Este blog será implacável na luta contra as pragas da língua. Vale inseticida, bactericida, água sanitária, creolina ou mesmo um banzai com uma sandália.

Mas tempo de duração é o caraleo!

(perdoem o linguajar, mas destilar a ira, ainda que maquiada, faz bem)

Basta ir ao dicionário. Duração sempre estará relacionada a tempo. Sempre. Vocês nunca vão encontrar por aí um "A corrida durou dois quilômetros".

Mas a praga é persistente.

O tempo de duração do evento foi de duas horas e meia.

NÃO! É tão mais simples dizer "O evento durou duas horas e meia"!

Pelamordedeus. Economizem tinta, papel e saliva. Obrigado!

=)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Pragas da língua

Acreditem, há muitas.

Talvez sejam elas as responsáveis por tornar nossa língua tão... estimulante!

Uma delas é a confusão com parônimos.

Nada de nome feio! Parônimos são palavras com som igual que têm significados diferentes.

Uma dupla das mais céleres e célebres é iminência/eminência.

Como distingui-las?

Mole. Iminência significa o que está prestes a acontecer. Por isso, vale a dica abaixo:

- Ih! Aquele avião vai cair!
- Ah! Então ele está na ih!minência de um acidente.

Já uma eminência é alguém importante, respeitado, como um bispo.