Já vi muita gente escrever chagas do tipo:
- Uma coisa não tem nada haver com a outra.
Sim, é uma chaga, mas não vamos crucificar ninguém por causa disso. Há uma lógica para o erro: haver está freqüentemente associado a existir. Daí, a pessoa acha que uma coisa não coexiste com a outra e manda esse Gato com J.
Não, nada a ver é uma expressão. Significa ter relação, ter vista com.
Mas nada haver é errado?
Em Portugal, onde haver também é sinônimo de receber — daí deriva haveres —, se fala ter a haver. Donde a gente chega a nada a haver como sinônimo de nada a receber.
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quarta-feira, 12 de março de 2008
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Sujeito quem?
Muita gente ainda não sabe usar vírgula.
Um dos Gatos com J mais comuns é separar sujeito do predicado com vírgula.
Os alunos, se esqueceram de entregar o trabalho a tempo.
Olhando assim, vocês possivelmente exclamarão:
- Mas não é possível!
A língua, meus caros, tem suas armadilhas.
Quem nunca cometeu infrações de trânsito em toda a vida, merece um prêmio.
Quanto maior o sujeito, maior a chance de cair uma vírgula no lugar errado. E sujeitos-quem são mestres em induzir a pessoa ao erro.
Isso porque normalmente um sujeito-quem pode vir cheio de penduricalhos, como no exemplo que dei acima. A leitura da frase também sugere uma 'pausa' que faz a mão coçar para enfiar a maldita vírgula.
O assunto não se esgota aqui. Mas vamos combinar: sujeitos-quem, assim como todos os outros, não pedem vírgula antes do predicado.
Um dos Gatos com J mais comuns é separar sujeito do predicado com vírgula.
Os alunos, se esqueceram de entregar o trabalho a tempo.
Olhando assim, vocês possivelmente exclamarão:
- Mas não é possível!
A língua, meus caros, tem suas armadilhas.
Quem nunca cometeu infrações de trânsito em toda a vida, merece um prêmio.
Quanto maior o sujeito, maior a chance de cair uma vírgula no lugar errado. E sujeitos-quem são mestres em induzir a pessoa ao erro.
Isso porque normalmente um sujeito-quem pode vir cheio de penduricalhos, como no exemplo que dei acima. A leitura da frase também sugere uma 'pausa' que faz a mão coçar para enfiar a maldita vírgula.
O assunto não se esgota aqui. Mas vamos combinar: sujeitos-quem, assim como todos os outros, não pedem vírgula antes do predicado.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Conto-do-vigário-de-fadas
Foi notícia esta semana o crime contra o nosso idioma cometido pela publicação do 'livro' Tesouro Musical Mágico: Princesas, com a 'chancela' da Disney.
Na boa? Eu contei, só de erros, mais de 80. Não levei em consideração outros graves problemas, como os atropelos na hora de espremer as histórias, a péssima redação — fruto provável de uma tradução equivocada do inglês — e a interminável repetição de palavras.
Todos esses 80 erros entrariam numa categoria chamada 'gato com J', ou seja, erros tão crassos que agridiriam os olhos como uma ponta de faca.
O livrinho, que traz como 'bônus' uma caixinha de música, mutila seis clássicos de Walt Disney, todos com histórias açucaradas de princesas, bruxas e afins.
Vírgulas no lugar errado, acentos desnecessários, regências ignoradas e crimes ortográficos infestam as 40 páginas do livro. Exemplos?
"Mas Branca de Neve continuava sendo alegre, e cantava com frequência..."
"Quando o príncipe e Branca de Neve se conheceram, se apaixonaram instantâneamente".
"Rápidamente pôs o vestido..."
"Cada uma das fadas presentearam..."
"Em uma das arriscadas viajens de Ariel até a superfície, nadou ao lado de um barco..."
"Sebastião, o carangueijo guardião..."
"Ele não queria ver sua filha sob o contrôle da Úrsula, então se ofereceu em troca. Uma vez que Tritão se tornou da Úrsula..."
"E por fim, Ariel fêz parte do mundo do Eric".
"Ela podia escapar da monotonía do dia-a-dia".
"E fugiu deixando Maurice sózinho e perdido".
"Porém, haviam certas coisas..."
Escrever para crianças é muito mais difícil que escrever para adultos. Os autores precisam ter a sensibilidade de não subestimá-las nem de publicar em sânscrito, por exemplo. Mas a regra número um, ao meu ver, é não errar. E essa norma vale para literatura e para livro didático.
Ninguém quer uma ditadura da Norma Culta, e acho errado blindar as crianças das informalidades da língua. Retomo o propósito deste blog: venerar o português, mostrar o valor de falá-lo e escrevê-lo corretamente, mas sem traumas.
É motivo de preocupação, porém, quando se contam inúmeros erros básicos numa obra de grande apelo, que deveria ser referência para educadores.
O que mais me espanta é que, no expediente, consta que houve uma revisão.
Na boa? Eu contei, só de erros, mais de 80. Não levei em consideração outros graves problemas, como os atropelos na hora de espremer as histórias, a péssima redação — fruto provável de uma tradução equivocada do inglês — e a interminável repetição de palavras.
Todos esses 80 erros entrariam numa categoria chamada 'gato com J', ou seja, erros tão crassos que agridiriam os olhos como uma ponta de faca.
O livrinho, que traz como 'bônus' uma caixinha de música, mutila seis clássicos de Walt Disney, todos com histórias açucaradas de princesas, bruxas e afins.
Vírgulas no lugar errado, acentos desnecessários, regências ignoradas e crimes ortográficos infestam as 40 páginas do livro. Exemplos?
"Mas Branca de Neve continuava sendo alegre, e cantava com frequência..."
"Quando o príncipe e Branca de Neve se conheceram, se apaixonaram instantâneamente".
"Rápidamente pôs o vestido..."
"Cada uma das fadas presentearam..."
"Em uma das arriscadas viajens de Ariel até a superfície, nadou ao lado de um barco..."
"Sebastião, o carangueijo guardião..."
"Ele não queria ver sua filha sob o contrôle da Úrsula, então se ofereceu em troca. Uma vez que Tritão se tornou da Úrsula..."
"E por fim, Ariel fêz parte do mundo do Eric".
"Ela podia escapar da monotonía do dia-a-dia".
"E fugiu deixando Maurice sózinho e perdido".
"Porém, haviam certas coisas..."
Escrever para crianças é muito mais difícil que escrever para adultos. Os autores precisam ter a sensibilidade de não subestimá-las nem de publicar em sânscrito, por exemplo. Mas a regra número um, ao meu ver, é não errar. E essa norma vale para literatura e para livro didático.
Ninguém quer uma ditadura da Norma Culta, e acho errado blindar as crianças das informalidades da língua. Retomo o propósito deste blog: venerar o português, mostrar o valor de falá-lo e escrevê-lo corretamente, mas sem traumas.
É motivo de preocupação, porém, quando se contam inúmeros erros básicos numa obra de grande apelo, que deveria ser referência para educadores.
O que mais me espanta é que, no expediente, consta que houve uma revisão.
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