Batalha Naval deste domingo é um especial sobre plural de cores, uma das minúcias mais intrigantes da língua.
Estaria errado dizer camisas cinza?
E como classificar bermudas azul-amareladas?
Vejam no Meia Hora de domingo.
sábado, 12 de dezembro de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Remédio e vitaminas para o jornalismo
Dia desses meu amigo Berri me encaminhou essa tirinha:

Numa lista de quatro das coisas que nossos netos nunca entenderão, consta o jornal. Ao lado do já cremado videocassete - que rebobina (!) em cinco minutos (!)
[E a gente ainda levava multa se devolvesse uma fita de vídeo sem rebobiná-la. E isso mal tem 15 anos]
Essa tirinha veio à tona na minha cabeça logo que li a entrevista de Gay Talese à Veja. André Petry teve a honra de conversar com o jornalista - não vou gastar adjetivos aqui, porque invariavelmente sairiam coisas aquém do que ele realmente é.
Claro que a crise do jornalismo ocupou boa parte da conversa. Reproduzo aqui dois trechos muito pertinentes.
Outra mantém viva a paixão pelo jornalismo:
Mas é fato: jornais estão morrendo. Ainda que no Brasil o câncer esteja longe da metástase, como se vislumbra no país de Talese, a saúde dos diários daqui vai mal - e só piora com o comportamento hipocondríaco de muitos de seus colaboradores. O que não quer dizer que não se está lutando contra isso. Há de ter uma solução, e muitos jornais fritam a cabeça tentando encontrá-la.
Talese frisa na questão da visão ampla. E ele mira certeiramente na função de editor que os jornais, seja de que meio são, detém. Ele deixa bem claro que não basta apenas a informação.
Acontece que ela hoje foi reduzida a pílulas. O cara está com dor de cabeça? Corre no armário e pega uma aspirina, um tylenol. Assim é com a informação. Homeopatia.
A diferença é que o mundo de hoje, em relação ao de ontem, não mudou nada num ponto. Merdas acontecem o tempo todo - coisas boas também, mas vamos nos ater à máxima de que notícia ruim vende jornal. Só que soa meio anacrônico você pagar dois dólares para saber das merdas que aconteceram ontem, como diz a tirinha, se fatalmente essa merda pode ter surgido horas antes na tela do computador.
A crise assusta mais pela possibilidade de alienação de uma geração do que pelo desinteresse específico pelo jornal de papel. É como se o cara questionasse comprar uma farmácia inteira se o que ele realmente quer é um tylenol.
Creio que o Talese pense que o caminho das pedras está em deixar o jornal atraente, de não deixá-lo virar dispensável. Para mim, ele é indispensável, porque nossa profissão é indispensável, porque viemos ao mundo para editar as histórias, para contá-las.
O jornal deve e precisa suprir as pílulas de que o leitor necessita. Só que agora temos de vitaminá-lo. E o desafio é justamente esse.

Numa lista de quatro das coisas que nossos netos nunca entenderão, consta o jornal. Ao lado do já cremado videocassete - que rebobina (!) em cinco minutos (!)
[E a gente ainda levava multa se devolvesse uma fita de vídeo sem rebobiná-la. E isso mal tem 15 anos]
Essa tirinha veio à tona na minha cabeça logo que li a entrevista de Gay Talese à Veja. André Petry teve a honra de conversar com o jornalista - não vou gastar adjetivos aqui, porque invariavelmente sairiam coisas aquém do que ele realmente é.
Claro que a crise do jornalismo ocupou boa parte da conversa. Reproduzo aqui dois trechos muito pertinentes.
"Na Internet, os jovens se informam de modo muito objetivo, no mau sentido. Eles têm uma pergunta na cabeça, vão ao Google, pedem a resposta, e pronto. Estão informados, mas é um modo linear de pensar e ser informado, que não dá chance ao acaso. Quem lê um jornal impresso lê histórias que não procurou e, por isso, acaba adquirindo um sentido mais amplo do mundo. Claro que você também pode fazer isso na Internet, mas o apelo da Internet é oferecer informação rápida. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas. Quem se informa pela Internet, de modo assim estreito e limitado, pode ser muito bem-sucedido, ganhar muito dinheiro, mas não terá uma visão ampla do mundo.
Outra mantém viva a paixão pelo jornalismo:
"As pessoas esquecem que os jornais vão e vêm. O jornalismo, não. As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém. De todas as profissões, se um jovem estiver interessado em honestidade e não estiver interessado em ganhar muito dinheiro, eu aconselharia o jornalismo, que lida com a verdade e tenta disseminar a verdade. Os jornalistas não toleram o mentiroso entre eles. Acho uma profissão honrosa, honesta. Tenho orgulho de ser jornalista."
Mas é fato: jornais estão morrendo. Ainda que no Brasil o câncer esteja longe da metástase, como se vislumbra no país de Talese, a saúde dos diários daqui vai mal - e só piora com o comportamento hipocondríaco de muitos de seus colaboradores. O que não quer dizer que não se está lutando contra isso. Há de ter uma solução, e muitos jornais fritam a cabeça tentando encontrá-la.
Talese frisa na questão da visão ampla. E ele mira certeiramente na função de editor que os jornais, seja de que meio são, detém. Ele deixa bem claro que não basta apenas a informação.
Acontece que ela hoje foi reduzida a pílulas. O cara está com dor de cabeça? Corre no armário e pega uma aspirina, um tylenol. Assim é com a informação. Homeopatia.
A diferença é que o mundo de hoje, em relação ao de ontem, não mudou nada num ponto. Merdas acontecem o tempo todo - coisas boas também, mas vamos nos ater à máxima de que notícia ruim vende jornal. Só que soa meio anacrônico você pagar dois dólares para saber das merdas que aconteceram ontem, como diz a tirinha, se fatalmente essa merda pode ter surgido horas antes na tela do computador.
A crise assusta mais pela possibilidade de alienação de uma geração do que pelo desinteresse específico pelo jornal de papel. É como se o cara questionasse comprar uma farmácia inteira se o que ele realmente quer é um tylenol.
Creio que o Talese pense que o caminho das pedras está em deixar o jornal atraente, de não deixá-lo virar dispensável. Para mim, ele é indispensável, porque nossa profissão é indispensável, porque viemos ao mundo para editar as histórias, para contá-las.
O jornal deve e precisa suprir as pílulas de que o leitor necessita. Só que agora temos de vitaminá-lo. E o desafio é justamente esse.
domingo, 14 de junho de 2009
A queda do império
Vocês notaram que o modo imperativo está quase virando peça de museu?
Na língua oral, soa como um papiro cheio de poeira que nos dá alergia só de tocar. Na escrita, ainda que ela resista, quando o imperativo aparece nossa memória dá um jeito de tachar de arcaico o que acabamos de ler.
O fato é que as pessoas estão dando ordens de outra forma. Não usam mais o imperativo.
Não tem muito tempo, diríamos: "Meu filho, passa no supermercado e traze meia dúzia de ovos".
Algo errado? Não, conjugamos o passar e o trazer no imperativo, respeitando a segunda pessoa, o tu.
Vocês lembram? Há uma fórmula para conjugar o imperativo. A regra número um: sabe-se lá por que, a língua portuguesa não admite que a pessoa se mande. Logo, a conjugação parte do tu. Depois, no lugar do ele, vem um você, porque se pressupõe que o ordenado tem de estar na sua frente, e um ele não garante essa 'presença'.
Há o afirmativo e o negativo. Este é mole: basta importar todas as formas do presente do subjuntivo - outro modo verbal que anda preterido. A coisa fica só um pouquinho mais complicada no presente do imperativo. A segunda pessoa vem do presente do indicativo, mas sem o s. Complicado?
Se dizemos eu ando, tu andas, ele anda, no imperativo teremos anda tu. É o andas sem o s.
As demais pessoas copiam do presente do subjuntivo, tal como o negativo.
Vamos a um exemplo prático?
Verbo correr: Eu corro, tu corres, ele corre; nós corremos, vós correis, eles correm. Que eu corra, que tu corras, que ele corra; que nós corramos, que vós corrais (ui!), que eles corram. Vejam que destaquei o que usaremos na montagem do imperativo afirmativo. Então, fica: corre tu, corra você, corramos nós, correi vós, corram vocês.
O não corrais vós, sozinho, é um argumentaço para derrubar o uso frequente do imperativo. É feio demais.
A discussão, porém, vai mais além. Do Sudeste para cima, pouco se usam o tu e o vós com a conjugação correta. Aliás, só o tu ainda resiste. Alguém aí fala vós sem ser na missa?
Até porque todo mundo aqui ouve - ou fala - tu vai, tu foi.
Se dois dos alicerces da conjugação verbal estão praticamente no chão, o imperativo cai junto.
Lembram da dúzia de ovos lá de cima? O passa (tu) talvez tenha passado despercebido, porque ele se confunde com o ele passa. O que cauza estranheza é o traze (tu). Vocês concordam que a frase mais comum seria Meu filho, passa no supermercado e traz meia dúzia de ovos?
Estamos, na prática, assistindo à queda do império. É no mínimo curioso, pois se trata de um maltrato à língua, que foi esculpida, montada, erguida assim. Se há hoje uma tida bizarrice como um não corrai vós, é porque nossa língua assim encontrou e assim se estabeleceu. Houve uma lógica, e deveríamos ser gratos a ela, por ser tão rica. Não é uma obra tosca, pelo contrário.
Mas sei que não há muito o que fazer contra esse golpe. Breve assistiremos ao 'Baile da Ilha Fiscal', na noite às vésperas da derrocada final do império.
Na língua oral, soa como um papiro cheio de poeira que nos dá alergia só de tocar. Na escrita, ainda que ela resista, quando o imperativo aparece nossa memória dá um jeito de tachar de arcaico o que acabamos de ler.
O fato é que as pessoas estão dando ordens de outra forma. Não usam mais o imperativo.
Não tem muito tempo, diríamos: "Meu filho, passa no supermercado e traze meia dúzia de ovos".
Algo errado? Não, conjugamos o passar e o trazer no imperativo, respeitando a segunda pessoa, o tu.
Vocês lembram? Há uma fórmula para conjugar o imperativo. A regra número um: sabe-se lá por que, a língua portuguesa não admite que a pessoa se mande. Logo, a conjugação parte do tu. Depois, no lugar do ele, vem um você, porque se pressupõe que o ordenado tem de estar na sua frente, e um ele não garante essa 'presença'.
Há o afirmativo e o negativo. Este é mole: basta importar todas as formas do presente do subjuntivo - outro modo verbal que anda preterido. A coisa fica só um pouquinho mais complicada no presente do imperativo. A segunda pessoa vem do presente do indicativo, mas sem o s. Complicado?
Se dizemos eu ando, tu andas, ele anda, no imperativo teremos anda tu. É o andas sem o s.
As demais pessoas copiam do presente do subjuntivo, tal como o negativo.
Vamos a um exemplo prático?
Verbo correr: Eu corro, tu corres, ele corre; nós corremos, vós correis, eles correm. Que eu corra, que tu corras, que ele corra; que nós corramos, que vós corrais (ui!), que eles corram. Vejam que destaquei o que usaremos na montagem do imperativo afirmativo. Então, fica: corre tu, corra você, corramos nós, correi vós, corram vocês.
O não corrais vós, sozinho, é um argumentaço para derrubar o uso frequente do imperativo. É feio demais.
A discussão, porém, vai mais além. Do Sudeste para cima, pouco se usam o tu e o vós com a conjugação correta. Aliás, só o tu ainda resiste. Alguém aí fala vós sem ser na missa?
Até porque todo mundo aqui ouve - ou fala - tu vai, tu foi.
Se dois dos alicerces da conjugação verbal estão praticamente no chão, o imperativo cai junto.
Lembram da dúzia de ovos lá de cima? O passa (tu) talvez tenha passado despercebido, porque ele se confunde com o ele passa. O que cauza estranheza é o traze (tu). Vocês concordam que a frase mais comum seria Meu filho, passa no supermercado e traz meia dúzia de ovos?
Estamos, na prática, assistindo à queda do império. É no mínimo curioso, pois se trata de um maltrato à língua, que foi esculpida, montada, erguida assim. Se há hoje uma tida bizarrice como um não corrai vós, é porque nossa língua assim encontrou e assim se estabeleceu. Houve uma lógica, e deveríamos ser gratos a ela, por ser tão rica. Não é uma obra tosca, pelo contrário.
Mas sei que não há muito o que fazer contra esse golpe. Breve assistiremos ao 'Baile da Ilha Fiscal', na noite às vésperas da derrocada final do império.
Sobre o Twtiter
O portal de microblogs sempre esteve lá, mas parece que de uns meses para cá a coisa tornou-se febre, e, como toda febre, desperta paixões e ódios.
Razões declaradas para odiar: há quem pragueje contra os parcos 140 caracteres do limite que nos é imposto. Outros reclamam da futilidade de alguns usuários. Alguns, não tão radicais, alegam não ter tempo de ficar tuitando o tempo todo.
Vamos nos ater primeiro à questão da futilidade. De fato, muita gente leva ao pé da letra o convite que o Twitter faz no seu cabeçalho: What are you doing? - e lá vai o sujeito relatar as coisas mais irrelevantes de sua vida. O cúmulo se dá quando, mesmo dentro dessa irrelevância toda, o nada impera - mas o sujeito precisa manter os tweets, e aí despeja qualquer coisa. Até um bom-dia.
O limite: se isto fosse um tweet, teria estourado os 140 caracteres antes mesmo de terminar o primeiro parágrafo. O espaço teria acabado em paixões. Muita gente verborrágica diz que isso não dá para nada.
O tempo: eu, de fato, não o tenho. Meus afazeres me impedem, prática e eticamente, de ficar tuitando o tempo todo. O site sugere - ou melhor, quase impõe - uma atualização frenética. Não consigo.
Então o Twitter é tudo de ruim?
Muito pelo contrário.
Nada do que acontece ali é diferente do que ocorre na Internet em geral. Não é difícil achar blogs com besteira. O que mais povoa a Web é porcaria, e muita gente grande já aprendeu que basta não acessá-la e filtrar o que quer ver.
A mesma coisa se dá no Twitter. Uns poucos usuários sacaram que a ferramenta oferece muito mais do que um relato em tempo real de uma vida ordinária e passaram a usá-la como um plantão de coisas bacanas. Há quem leve isso muito a sério: são jornalistas tão ligados e tão pilhados que tuítam para dizer que a Pinheiro Machado está engarrafada.
Bobagem? Pode ser, mas essa mesma pessoa pode dar um 'furo' ou, numa perspectiva mais humilde, contribuir para uma apuração com uma visão diferenciada.
Mas eu vejo no Twitter uma vantagem prática: ele é ótimo para nos apontar tendências, ou simplesmente fazer pipocar um assunto legal. Um exemplo: na segunda-feira seguinte à queda do Airbus, fiz uma pesquisa de teste para ver o que se falava de airfrance e Air France. Mal e porcamente, de cada 10 mensagens, tínhamos 5 'besteiras', do tipo gente chocada, gente triste. Três traziam links para notícias óbvias ou as reproduziam - nos 140 caracteres, pois. As duas restantes eram atualizações pertinentes, em cima do lance. Detalhe: a cada minuto, pingavam centenas de tweets.
Se você está entediado com os usuários que você segue, apenas se dê ao trabalho de abandoná-los. Há gente legal no Twitter. Gente que posta humor, gente que compartilha links legais. Gente que não está lá para colocar qualquer coisa.
Quanto ao tempo, não tenho uma contra-argumentação decente, mas questiono se realmente é necessário alimentar sua página com 400 tweets diários. Às vezes basta um RT - sigla para re-tweet, uma forma de você manter um tweet em evidência e bombá-lo - para dar o recado.
E quanto aos 140 caracteres? Já dizia Carlos Drummond de Andrade: escrever é cortar palavras. Se bem que, para publicar este post no Twitter, precisaria de 22 updates...
Razões declaradas para odiar: há quem pragueje contra os parcos 140 caracteres do limite que nos é imposto. Outros reclamam da futilidade de alguns usuários. Alguns, não tão radicais, alegam não ter tempo de ficar tuitando o tempo todo.
Vamos nos ater primeiro à questão da futilidade. De fato, muita gente leva ao pé da letra o convite que o Twitter faz no seu cabeçalho: What are you doing? - e lá vai o sujeito relatar as coisas mais irrelevantes de sua vida. O cúmulo se dá quando, mesmo dentro dessa irrelevância toda, o nada impera - mas o sujeito precisa manter os tweets, e aí despeja qualquer coisa. Até um bom-dia.
O limite: se isto fosse um tweet, teria estourado os 140 caracteres antes mesmo de terminar o primeiro parágrafo. O espaço teria acabado em paixões. Muita gente verborrágica diz que isso não dá para nada.
O tempo: eu, de fato, não o tenho. Meus afazeres me impedem, prática e eticamente, de ficar tuitando o tempo todo. O site sugere - ou melhor, quase impõe - uma atualização frenética. Não consigo.
Então o Twitter é tudo de ruim?
Muito pelo contrário.
Nada do que acontece ali é diferente do que ocorre na Internet em geral. Não é difícil achar blogs com besteira. O que mais povoa a Web é porcaria, e muita gente grande já aprendeu que basta não acessá-la e filtrar o que quer ver.
A mesma coisa se dá no Twitter. Uns poucos usuários sacaram que a ferramenta oferece muito mais do que um relato em tempo real de uma vida ordinária e passaram a usá-la como um plantão de coisas bacanas. Há quem leve isso muito a sério: são jornalistas tão ligados e tão pilhados que tuítam para dizer que a Pinheiro Machado está engarrafada.
Bobagem? Pode ser, mas essa mesma pessoa pode dar um 'furo' ou, numa perspectiva mais humilde, contribuir para uma apuração com uma visão diferenciada.
Mas eu vejo no Twitter uma vantagem prática: ele é ótimo para nos apontar tendências, ou simplesmente fazer pipocar um assunto legal. Um exemplo: na segunda-feira seguinte à queda do Airbus, fiz uma pesquisa de teste para ver o que se falava de airfrance e Air France. Mal e porcamente, de cada 10 mensagens, tínhamos 5 'besteiras', do tipo gente chocada, gente triste. Três traziam links para notícias óbvias ou as reproduziam - nos 140 caracteres, pois. As duas restantes eram atualizações pertinentes, em cima do lance. Detalhe: a cada minuto, pingavam centenas de tweets.
Se você está entediado com os usuários que você segue, apenas se dê ao trabalho de abandoná-los. Há gente legal no Twitter. Gente que posta humor, gente que compartilha links legais. Gente que não está lá para colocar qualquer coisa.
Quanto ao tempo, não tenho uma contra-argumentação decente, mas questiono se realmente é necessário alimentar sua página com 400 tweets diários. Às vezes basta um RT - sigla para re-tweet, uma forma de você manter um tweet em evidência e bombá-lo - para dar o recado.
E quanto aos 140 caracteres? Já dizia Carlos Drummond de Andrade: escrever é cortar palavras. Se bem que, para publicar este post no Twitter, precisaria de 22 updates...
domingo, 24 de maio de 2009
-,
Pode causar estranheza a vírgula colada ao travessão.
Meu tio, especialista em astrofísica - ciência que estuda a evolução e a constituição de planetas e estrelas -, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Antes de explicá-la, acho bacana a gente entender um pouco do travessão.
Ele é mais visto em diálogos. Cada - indica alguém falando.
Mas o travessão também serve para intercalar frases em outras. Essa função, vejam bem, pode ser muito bem exercida por vírgulas ou parênteses.
A decisão sobre qual dos três usar não é uma questão de certo ou errado, é mais uma discussão de estilo. Vocês certamente encontrarão argumentos a favor e contra. Por isso, eu me sinto à vontade para dividir os meus.
O problema da vírgula numa intercalação é picotar demais a frase. Vamos pegar o exemplo lá de cima:
Meu tio, especialista em astrofísica, ciência que estuda a evolução e a constituição de planetas e estrelas, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Viram quantas vírgulas? A frase fica capenga. O que a torna complicada é a explicação da explicação. Dizemos que meu tio é astrofísico e resumimos o que é isso.
Então, por que não usar parênteses? Aí é uma questão pessoal. Acho o parêntese um corpo estranho. Já foi dito que quem o usa não sabe escrever, porque estaria pegando um atalho malfeito para explicar qualquer coisa.
Não vejo dessa forma radical, mas eu implico com parênteses. Acho uma inserção totalmente estranha à coesão do texto. O que não sei explicar é por que não tenho essa sensação com os travessões.
Usar travessão é elegantérrimo. Você dá uma pausa, mas não insere nenhum corpo estranho; fica uma construção bem harmoniosa.
Posto isso, voltemos ao início do post: -,
Notem que desde o começo falei de inserção, de enxerto. Travessões - e a regra se aplica também a parênteses - não 'comem' nada da frase que os receberá. Eles abrem espaços e se instalam ali.
Vejam então o que acontece se, do primeiro exemplo, a gente tirar o que veio dentro do travessão:
Meu tio, especialista em astrofísica, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Muito bem. Vamos dar uma olhada a um trechinho dessa frase:
...astrofísica, vai...
Entre astrofísica e vai tem uma vírgula. Uma, não duas; é justamente entre astrofísica e a vírgula o espaço que o travessão vai abrir.
Entenderam então por que a vírgula continua lá?
Meu tio, especialista em astrofísica - ciência que estuda a evolução e a constituição de planetas e estrelas -, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Não acho o -, estranho. Mas tem gente que acha - e tenho aqui uma sugestão. Neste mesmo post já a usei.
Travessões - e a regra se aplica também a parênteses - não 'comem' nada da frase que os receberá.
Notem que aí em cima não tem vírgula nenhuma. No entanto, optei pelo travessão, e não por vírgulas ou - argh - parênteses.
Entendo que ali eu precisava de uma pausa importante, para dar uma ênfase. Esse destaque ficaria solto se estivesse entre vírgulas - o que cansaria o texto -, e pobre se visse trancado por parênteses.
O mais legal é que o a regra se encaixa entre o sujeito e o predicado. E nós estamos carecas de saber que separá-los por vírgula é um gato com J.
Acho mais elegante quando os travessões aparecem sem sujar muito o texto, como julgo ser o caso acima. Vejam: a frase está lá, os travessões não comem nada, mas há a observação de que a regra também se aplica a parênteses; ambas estão lá. Sem precisar de um milhão de vírgulas...
Ainda falaremos do ponto e vírgula, esse esquecido.
Meu tio, especialista em astrofísica - ciência que estuda a evolução e a constituição de planetas e estrelas -, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Antes de explicá-la, acho bacana a gente entender um pouco do travessão.
Ele é mais visto em diálogos. Cada - indica alguém falando.
Mas o travessão também serve para intercalar frases em outras. Essa função, vejam bem, pode ser muito bem exercida por vírgulas ou parênteses.
A decisão sobre qual dos três usar não é uma questão de certo ou errado, é mais uma discussão de estilo. Vocês certamente encontrarão argumentos a favor e contra. Por isso, eu me sinto à vontade para dividir os meus.
O problema da vírgula numa intercalação é picotar demais a frase. Vamos pegar o exemplo lá de cima:
Meu tio, especialista em astrofísica, ciência que estuda a evolução e a constituição de planetas e estrelas, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Viram quantas vírgulas? A frase fica capenga. O que a torna complicada é a explicação da explicação. Dizemos que meu tio é astrofísico e resumimos o que é isso.
Então, por que não usar parênteses? Aí é uma questão pessoal. Acho o parêntese um corpo estranho. Já foi dito que quem o usa não sabe escrever, porque estaria pegando um atalho malfeito para explicar qualquer coisa.
Não vejo dessa forma radical, mas eu implico com parênteses. Acho uma inserção totalmente estranha à coesão do texto. O que não sei explicar é por que não tenho essa sensação com os travessões.
Usar travessão é elegantérrimo. Você dá uma pausa, mas não insere nenhum corpo estranho; fica uma construção bem harmoniosa.
Posto isso, voltemos ao início do post: -,
Notem que desde o começo falei de inserção, de enxerto. Travessões - e a regra se aplica também a parênteses - não 'comem' nada da frase que os receberá. Eles abrem espaços e se instalam ali.
Vejam então o que acontece se, do primeiro exemplo, a gente tirar o que veio dentro do travessão:
Meu tio, especialista em astrofísica, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Muito bem. Vamos dar uma olhada a um trechinho dessa frase:
...astrofísica, vai...
Entre astrofísica e vai tem uma vírgula. Uma, não duas; é justamente entre astrofísica e a vírgula o espaço que o travessão vai abrir.
Entenderam então por que a vírgula continua lá?
Meu tio, especialista em astrofísica - ciência que estuda a evolução e a constituição de planetas e estrelas -, vai dar uma palestra sobre o Sol amanhã.
Não acho o -, estranho. Mas tem gente que acha - e tenho aqui uma sugestão. Neste mesmo post já a usei.
Travessões - e a regra se aplica também a parênteses - não 'comem' nada da frase que os receberá.
Notem que aí em cima não tem vírgula nenhuma. No entanto, optei pelo travessão, e não por vírgulas ou - argh - parênteses.
Entendo que ali eu precisava de uma pausa importante, para dar uma ênfase. Esse destaque ficaria solto se estivesse entre vírgulas - o que cansaria o texto -, e pobre se visse trancado por parênteses.
O mais legal é que o a regra se encaixa entre o sujeito e o predicado. E nós estamos carecas de saber que separá-los por vírgula é um gato com J.
Acho mais elegante quando os travessões aparecem sem sujar muito o texto, como julgo ser o caso acima. Vejam: a frase está lá, os travessões não comem nada, mas há a observação de que a regra também se aplica a parênteses; ambas estão lá. Sem precisar de um milhão de vírgulas...
Ainda falaremos do ponto e vírgula, esse esquecido.
English go home!
Esta semana nosso prefeito sancionou lei que exige tradução para qualquer manifestação publicitária em inglês. Isso significa, na prática, que delivery é o caraleo.
Está certo nosso prefeito? Seria um exagero mandar traduzir toda propaganda? Ou estamos americanizados demais?
Para mim, não se trata de uma xenofobia. Eu procuro ver essa lei como uma garantia de carinho à nossa língua.
Quando se escolhe escrever off ou sale no lugar de liquidação, a língua portuguesa, ao meu ver, é desprezada. E não adianta dizer que as opções em inglês são mais curtas. Criatividade e, vá lá, abreviações estão aí para isso. Já vi vitrines com simpáticos LIQUI.
Cabe um parêntese: a lei não mexe em marcas. Não será o caso, por exemplo, da Pizza Hut ter de se rebatizar para Cabana da Pizza. Coisas registradas e consagradas em inglês assim permanecerão.
Exatamente por isso vejo com bons olhos essa lei. Que mal fará esquecer um pouco o inglês e dar mais atenção ao português?
Este blog o valoriza. Não bruto, feio, imposto - como hão de argumentar alguns detratores da lei -, mas criativo, lapidado. Como é o caso de escrever um em casa no lugar de entrega para 'traduzir' o famigerado delivery.
Vejam: não seria lindo não ter de traduzir e simplesmente esquecer o inglês?
Está certo nosso prefeito? Seria um exagero mandar traduzir toda propaganda? Ou estamos americanizados demais?
Para mim, não se trata de uma xenofobia. Eu procuro ver essa lei como uma garantia de carinho à nossa língua.
Quando se escolhe escrever off ou sale no lugar de liquidação, a língua portuguesa, ao meu ver, é desprezada. E não adianta dizer que as opções em inglês são mais curtas. Criatividade e, vá lá, abreviações estão aí para isso. Já vi vitrines com simpáticos LIQUI.
Cabe um parêntese: a lei não mexe em marcas. Não será o caso, por exemplo, da Pizza Hut ter de se rebatizar para Cabana da Pizza. Coisas registradas e consagradas em inglês assim permanecerão.
Exatamente por isso vejo com bons olhos essa lei. Que mal fará esquecer um pouco o inglês e dar mais atenção ao português?
Este blog o valoriza. Não bruto, feio, imposto - como hão de argumentar alguns detratores da lei -, mas criativo, lapidado. Como é o caso de escrever um em casa no lugar de entrega para 'traduzir' o famigerado delivery.
Vejam: não seria lindo não ter de traduzir e simplesmente esquecer o inglês?
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Domingo, em Batalha Naval
Mais uma rodada de testes sobre o hífen.
E vocês? O que mais chateia na Reforma?
E vocês? O que mais chateia na Reforma?
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Portugal resiste contra a Reforma
Deu no Jornal Nacional: uma petição 0n-line em Portugal já obteve cem mil assinaturas contra a Reforma Ortográfica. A intenção inicial era reunir cinco mil adesões à causa. Os patrícios andam tão fulos com as correcções que a briga já resvala no parlamento. Querem porque querem enterrar o Acordo.
Isto, pois, é impossível. O Acordo está a plenos pulmões aqui no Brasil e, o mais importante, foi ratificado por quem de direito em Portugal. Não haveria, em tese, como voltar atrás.
Não se espera que Portugal cometa, futuramente, a deselegância de rasgar papéis e mandar às favas o Acordo. Mas vislumbro que a força de uma lei sucumbe, sim, à resistência de um povo.
O que mais chateia os lusos é o fim das consoantes mudas. Esse item do Acordo gera um paradoxo. Nós, brasileiros, temos muito mais regras para redecorar, mas a Reforma só se faz sentir em 0,5% das palavras. Em Portugal esse índice é três vezes maior, embora, basicamente, a coisa se resuma às consoantes mudas.
Confesso que estranho palavras como sumptuoso, assumpção. Nós já nos habituamos a suntuoso e assunção. Lá, parece que essa troca é crime de lesa-pátria. Não querem mexer.
No ano passado estive em Portugal e tive a honra de conversar com dois professores acerca do assunto. Lá, como cá, ainda há dúvidas. Lembro da discussão sobre fato/facto. Eles estavam possessos porque o c de facto iria sumir. "Facto é um facto. Fato é o terno", ponderou, sucintamente, a professora. Há exceções, e já se admite dupla grafia em alguns casos. Facto, por exemplo.
O que não se vê aqui, porém, é uma mobilização antiacordo. Não vemos petições sérias exigindo a volta do trema. Não esbarrei em textos criticando buracos da Reforma.
Não sei se isso é desmotivação ou aceitação. Só sei que o Acordo aqui avança, ainda que em passos tortos. A diferença é que a rejeição portuguesa é mais um combustível para retardar a aplicação das bases - e já se achava que lá seria demorado. Agora há o risco de ser parado.
Isto, pois, é impossível. O Acordo está a plenos pulmões aqui no Brasil e, o mais importante, foi ratificado por quem de direito em Portugal. Não haveria, em tese, como voltar atrás.
Não se espera que Portugal cometa, futuramente, a deselegância de rasgar papéis e mandar às favas o Acordo. Mas vislumbro que a força de uma lei sucumbe, sim, à resistência de um povo.
O que mais chateia os lusos é o fim das consoantes mudas. Esse item do Acordo gera um paradoxo. Nós, brasileiros, temos muito mais regras para redecorar, mas a Reforma só se faz sentir em 0,5% das palavras. Em Portugal esse índice é três vezes maior, embora, basicamente, a coisa se resuma às consoantes mudas.
Confesso que estranho palavras como sumptuoso, assumpção. Nós já nos habituamos a suntuoso e assunção. Lá, parece que essa troca é crime de lesa-pátria. Não querem mexer.
No ano passado estive em Portugal e tive a honra de conversar com dois professores acerca do assunto. Lá, como cá, ainda há dúvidas. Lembro da discussão sobre fato/facto. Eles estavam possessos porque o c de facto iria sumir. "Facto é um facto. Fato é o terno", ponderou, sucintamente, a professora. Há exceções, e já se admite dupla grafia em alguns casos. Facto, por exemplo.
O que não se vê aqui, porém, é uma mobilização antiacordo. Não vemos petições sérias exigindo a volta do trema. Não esbarrei em textos criticando buracos da Reforma.
Não sei se isso é desmotivação ou aceitação. Só sei que o Acordo aqui avança, ainda que em passos tortos. A diferença é que a rejeição portuguesa é mais um combustível para retardar a aplicação das bases - e já se achava que lá seria demorado. Agora há o risco de ser parado.
sábado, 16 de maio de 2009
Shift+6
Para quem não pescou o título da postagem, shift+6 é o código do saudoso trema no teclado da maioria dos computadores brasileiros.
Como já estamos carecas de saber, o trema foi varrido pela Reforma Ortográfica. Só resiste num punhadinho de nomes próprios.
Sem querer fazer juízo de valores: se o trema de fato sumiu, por que então ele ocupa um espaço nobre no nosso teclado? De que adianta guardar esse lugar se o sinal está caindo em desuso?
Confesso que, para a maioria dos digitadores, não tenho opção de troca.
Mas, em muitas conversas on-line, é comum ver o símbolo ¬, originalmente usado em operações de lógica — ele significa negação —, mas que foi adotado por usuários de MSN e afins como a melhor expressão de AFF.
AFF, ou ¬¬, para os entendidos, vem de desenhos japoneses e expressa uma cara de tédio, de desaprovação leve. Os dois ¬¬ juntinhos deveriam traduzir justamente dois olhos virados para o lado. Típica reação de quem diz: "Aff, o que eu vim fazer aqui", ou "Aff, o que esse cara está dizendo?"
Pois bem: o ¬ aparece de duas formas. Uma requer um malabarismo: ctrl+alt+6. Ou, para os teclados que têm o alt gr, ou o alt da direita, basta alt gr+6.
Fica aí a sugestão. Vamos trocar o ¨ pelo ¬.
Como já estamos carecas de saber, o trema foi varrido pela Reforma Ortográfica. Só resiste num punhadinho de nomes próprios.
Sem querer fazer juízo de valores: se o trema de fato sumiu, por que então ele ocupa um espaço nobre no nosso teclado? De que adianta guardar esse lugar se o sinal está caindo em desuso?
Confesso que, para a maioria dos digitadores, não tenho opção de troca.
Mas, em muitas conversas on-line, é comum ver o símbolo ¬, originalmente usado em operações de lógica — ele significa negação —, mas que foi adotado por usuários de MSN e afins como a melhor expressão de AFF.
AFF, ou ¬¬, para os entendidos, vem de desenhos japoneses e expressa uma cara de tédio, de desaprovação leve. Os dois ¬¬ juntinhos deveriam traduzir justamente dois olhos virados para o lado. Típica reação de quem diz: "Aff, o que eu vim fazer aqui", ou "Aff, o que esse cara está dizendo?"
Pois bem: o ¬ aparece de duas formas. Uma requer um malabarismo: ctrl+alt+6. Ou, para os teclados que têm o alt gr, ou o alt da direita, basta alt gr+6.
Fica aí a sugestão. Vamos trocar o ¨ pelo ¬.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
A redação do Enem
Bacana, o Enem. Este ano foram 4 milhões de estudantes, um recorde. No Rio foram uns 250 mil inscritos. Gente para caramba.
O Enem, vocês sabem, é composto por 63 (?) questões de múltipla escolha que reúnem várias disciplinas. Há ainda a redação.
A nota do Enem não tem mistério algum. Primeiro você calcula a porcentagem de acertos da prova objetiva; depois, tira a média com a nota da redação.
Isso quer dizer que a redação vale metade da prova.
Mas uma coisa me chamou a atenção. O Globo deu, dias antes do exame, um exemplo de redação nota 10. Havia um ou outro errinho aqui e ali. Um era até de concordância. Outro exemplo de redação perfeita, disponível para consulta no site do Inep, mostra que o candidato não acentuou o têm na terceira pessoa do plural.
O que prova uma transigência da banca do Enem. O candidato, então, não precisa ter um português perfeito para tirar 10.
Não gosto de ser purista. Eu mesmo já disse lá atrás que eu o era e fui obrigado a ceder, porque a língua não combina com fundamentalismos. Mas aqui cabe uma reflexão. Se a principal prova do Ensino Médio não exige um português perfeito, onde então ele seria obrigação? Em pegadinhas de concursos públicos?
Uma folheada na prova revela também que aquelas decorebas de antigamente estão praticamente banidas. O negócio é saber ler e interpretar.
É uma tendência boa, mas ao mesmo tempo lança uma dúvida. Boa porque nossos alunos não sabem 'ler' e têm enorme dificuldade em captar o sentido das coisas. A dúvida é em relação à cobrança. Eu acho que as pessoas escrevem muito mal e errado. Se não há cobrança para consertar isso, ter um português perfeito vira um acessório?
De volta
Como vocês podem perceber, este blog hibernou.
E não houve uma razão aparente. Talvez eu tenha enjoado, talvez tenha dado um tempo para reciclar as idéias e descansar os dedos.
Não vou prometer uma Retomada, porque se parei uma vez, posso parar de novo.
Afinal, um blog deve ser, antes de tudo, um prazer. Se for um compromisso prazeroso, ótimo. Se não, cutucá-lo todo dia acaba abrindo a ferida.
Vamos ver até onde vamos...
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Qual a palavra mais difícil do Soletrando?
Aponto duas. Esfigmômetro e septifoliolado. À medida que os alunos vão matando as palavras, a banca é obrigada a elevar a dificuldade. Chega um momento em que S, Z, X, SC e CH não derrubam mais ninguém, e o jeito é apelar para prefixos gregos e latinos, termos da botânica, da medicina...
Vamos ver até onde vai a final.
Vamos ver até onde vai a final.
A final do Soletrando
Deu o que eu esperava: o mineiro Eder, a paranaense Thafne e mais um - no caso, a Amanda, de Friburgo.
Ao que tudo indica, teremos no dia 31 de maio um repeteco do que aconteceu no último sábado: a amapense Auricélia caiu logo no começo, e o embate entre o cearense João Bryan e a Thafne se arrastou até a 12ª rodada, quando um ebdomadário desclassificou o menino. E eles soletraram pedreiras como joões-de-barro, aquiescência, ojeriza, linguodental, interlingüístico e esquizofrênico - palavra que deu a vitória à paranaense.
A Amanda pode até surpreender. O nervosismo dela ameaça derrubá-la, e, dos finalistas, ela é quem me passa menos firmeza. Tomara que eu esteja errado e ela ganhe, mas creio que veremos um pingue-pongue de tirar o fôlego entre Minas e Paraná, com evidente favoritismo da Thafne.
Tenho certeza de que pintará uma torcida nacional para o Eder. O menino, de família humildíssima, do Vale do Jequitinhonha, dependedora do Bolsa Família, ainda me soltou na apresentação, semanas atrás, provar que 'o Vale também tem gente de valor'.
Aí o público vai ao site dos perfis dos participantes e lê que a Thafne, aluna de um colégio militar, gosta de ver vídeos na Internet e sonha em ir para a Austrália. Vê, em seguida, que o Eder quer se formar em Economia e ajudar a família.
Nada de paixões. O Eder pode ganhar? Pode. A Thafne pode perder? Pode. Tudo vai depender do nervosismo dos dois e da capacidade de absorver palavras. Está mais que provado que a grande maioria dos que passaram à semifinal caiu por desconhecer o vocabulário. Gramática e ortografia, a maioria sabe.
O ruim é ter que esperar até o fim do mês.
Ao que tudo indica, teremos no dia 31 de maio um repeteco do que aconteceu no último sábado: a amapense Auricélia caiu logo no começo, e o embate entre o cearense João Bryan e a Thafne se arrastou até a 12ª rodada, quando um ebdomadário desclassificou o menino. E eles soletraram pedreiras como joões-de-barro, aquiescência, ojeriza, linguodental, interlingüístico e esquizofrênico - palavra que deu a vitória à paranaense.
A Amanda pode até surpreender. O nervosismo dela ameaça derrubá-la, e, dos finalistas, ela é quem me passa menos firmeza. Tomara que eu esteja errado e ela ganhe, mas creio que veremos um pingue-pongue de tirar o fôlego entre Minas e Paraná, com evidente favoritismo da Thafne.
Tenho certeza de que pintará uma torcida nacional para o Eder. O menino, de família humildíssima, do Vale do Jequitinhonha, dependedora do Bolsa Família, ainda me soltou na apresentação, semanas atrás, provar que 'o Vale também tem gente de valor'.
Aí o público vai ao site dos perfis dos participantes e lê que a Thafne, aluna de um colégio militar, gosta de ver vídeos na Internet e sonha em ir para a Austrália. Vê, em seguida, que o Eder quer se formar em Economia e ajudar a família.
Nada de paixões. O Eder pode ganhar? Pode. A Thafne pode perder? Pode. Tudo vai depender do nervosismo dos dois e da capacidade de absorver palavras. Está mais que provado que a grande maioria dos que passaram à semifinal caiu por desconhecer o vocabulário. Gramática e ortografia, a maioria sabe.
O ruim é ter que esperar até o fim do mês.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Sumô
Alguém aí já viu uma luta de sumô?
Não precisa ir ao Japão. Basta pegar um filme ou dar a sorte de ver uma contenda na televisão.
Da próxima vez, prestem atenção ao juiz.
Ele parece falar ininterruptamente a palavra levanta. Algo como levantalevantalevanta...
Aposto que você ia morrer sem saber disso.
Não precisa ir ao Japão. Basta pegar um filme ou dar a sorte de ver uma contenda na televisão.
Da próxima vez, prestem atenção ao juiz.
Ele parece falar ininterruptamente a palavra levanta. Algo como levantalevantalevanta...
Aposto que você ia morrer sem saber disso.
terça-feira, 29 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
Procuram-se respostas...
...para a questão do procuram-se.
Este, tal como o pesadelo da flexão do infinitivo, é uma afta da língua. Encontramos pás de exemplos errados: Procura-se médicos, vende-se casas, vê-se soluções.
Ah, então toda frase que tiver o -se vai para o plural?
Lamento dizer que nada no português é simples.
E digo mais: no caso do procura-se, não há uma 'fórmula', uma dica. Há, sim, uma lógica - mas ela só funciona se os fundamentos do idioma estiverem bem sólidos.
Em outras palavras, não dá para escapar da gramática.
Mas ela não é tão má quanto parece!
Então vamos à luta, para tentar não mais errar isso.
O primeiro passo é identificar que se é esse. Essa palavrinha pode assumir várias funções, mas podemos nos limitar a apenas duas, o que realmente nos interessa.
O se pode nos dizer que não há sujeito na frase. Uma dica preciosa para achar o sujeito numa frase é pegar o verbo principal e perguntar quem ou o quê.
Vamos começar com um exemplo fácil.
O padre proferiu um duro sermão no púlpito.
Há, aqui, um verbo: proferir. Usando a fórmula, a gente pergunta: quem proferiu?
O padre. Taí o sujeito da frase.
Agora, vamos à próxima:
Vive-se maravilhosamente aqui.
Quem vive?
A frase não diz. O sujeito está indeterminado.
Outra:
Precisa-se de empregados qualificados para a obra da ponte.
Ih... e agora? Quem precisa? A frase, mais uma vez, não diz. Acha que é fácil? Então vamos lá:
Ainda dá tempo para se tomarem algumas providências.
Frasezinha feia, não? Mas o duro é que a frase está correta.
Confesso que peguei pesado, porque se trata de uma oração reduzida, mas isso é gramática demais. Vamos voltar à regra da pergunta: o que toma? A resposta, porém, aparece quando a gente muda um pouquinho a questão. O que é tomado?
Viram? Taí um lindo exemplo de voz passiva. Você se lembra: na voz ativa, a coisa faz; na passiva, a coisa é feita. Existe uma forma mais curta de escrever isso. Faz-se a coisa.
Só que, na voz passiva, existe um sujeito. No caso acima, a coisa é sujeito de ambas as frases.
Como o sujeito manda na frase, devemos segui-lo.
Conserta-se janela. O que é consertado? A janela. E se a gente pôr janelas? Aí fica assim:
Consertam-se janelas.
Tá bom, vocês querem saber se tem uma fórmula. Ter, tem, mas vai depender de uma... decorebinha. Nada que com o uso contínuo você não guarde. É a regência. Ou a regra do quem coisa, coisa alguma coisa.
Falemos de regência depois. O pulo do gato, então, é identificar na frase o quem ou o quê.
1) Demitiu-se o diretor porque se elevaram os gastos na empresa.
2) Compraram-se várias ações ontem. Implicou-se em ótimos resultados.
Vejam que no exemplo 1 temos o diretor foi demitido e os gastos foram elevados. Temos aí duas vozes passivas. Já no exemplo 2, apesar de várias ações foram compradas, temos o em, que não nos deixa dúvida: os ótimos resultados são complemento, e não sujeito, que está oculto. Afinal, o que implicou? Quem implicou? Não foram os resultados. Foi alguém ou algo indeterminado.
O tema é espinhoso. Voltaremos a ele...
Este, tal como o pesadelo da flexão do infinitivo, é uma afta da língua. Encontramos pás de exemplos errados: Procura-se médicos, vende-se casas, vê-se soluções.
Ah, então toda frase que tiver o -se vai para o plural?
Lamento dizer que nada no português é simples.
E digo mais: no caso do procura-se, não há uma 'fórmula', uma dica. Há, sim, uma lógica - mas ela só funciona se os fundamentos do idioma estiverem bem sólidos.
Em outras palavras, não dá para escapar da gramática.
Mas ela não é tão má quanto parece!
Então vamos à luta, para tentar não mais errar isso.
O primeiro passo é identificar que se é esse. Essa palavrinha pode assumir várias funções, mas podemos nos limitar a apenas duas, o que realmente nos interessa.
O se pode nos dizer que não há sujeito na frase. Uma dica preciosa para achar o sujeito numa frase é pegar o verbo principal e perguntar quem ou o quê.
Vamos começar com um exemplo fácil.
O padre proferiu um duro sermão no púlpito.
Há, aqui, um verbo: proferir. Usando a fórmula, a gente pergunta: quem proferiu?
O padre. Taí o sujeito da frase.
Agora, vamos à próxima:
Vive-se maravilhosamente aqui.
Quem vive?
A frase não diz. O sujeito está indeterminado.
Outra:
Precisa-se de empregados qualificados para a obra da ponte.
Ih... e agora? Quem precisa? A frase, mais uma vez, não diz. Acha que é fácil? Então vamos lá:
Ainda dá tempo para se tomarem algumas providências.
Frasezinha feia, não? Mas o duro é que a frase está correta.
Confesso que peguei pesado, porque se trata de uma oração reduzida, mas isso é gramática demais. Vamos voltar à regra da pergunta: o que toma? A resposta, porém, aparece quando a gente muda um pouquinho a questão. O que é tomado?
Viram? Taí um lindo exemplo de voz passiva. Você se lembra: na voz ativa, a coisa faz; na passiva, a coisa é feita. Existe uma forma mais curta de escrever isso. Faz-se a coisa.
Só que, na voz passiva, existe um sujeito. No caso acima, a coisa é sujeito de ambas as frases.
Como o sujeito manda na frase, devemos segui-lo.
Conserta-se janela. O que é consertado? A janela. E se a gente pôr janelas? Aí fica assim:
Consertam-se janelas.
Tá bom, vocês querem saber se tem uma fórmula. Ter, tem, mas vai depender de uma... decorebinha. Nada que com o uso contínuo você não guarde. É a regência. Ou a regra do quem coisa, coisa alguma coisa.
Falemos de regência depois. O pulo do gato, então, é identificar na frase o quem ou o quê.
1) Demitiu-se o diretor porque se elevaram os gastos na empresa.
2) Compraram-se várias ações ontem. Implicou-se em ótimos resultados.
Vejam que no exemplo 1 temos o diretor foi demitido e os gastos foram elevados. Temos aí duas vozes passivas. Já no exemplo 2, apesar de várias ações foram compradas, temos o em, que não nos deixa dúvida: os ótimos resultados são complemento, e não sujeito, que está oculto. Afinal, o que implicou? Quem implicou? Não foram os resultados. Foi alguém ou algo indeterminado.
O tema é espinhoso. Voltaremos a ele...
Outra vez...
...o Soletrando acha uma vencedora de maneira ultraprecoce. Ontem, tal como na semana passada, nem deu para queimar neurônio: as duas derrotadas caíram na segunda fase.
Primeiro, a piauiense cometeu um cideral. Depois a potiguar me soletra uma coalisão. Bom para a mato-grossense, que me parece mais bem preparada que a classificada no sábado retrasado...
Primeiro, a piauiense cometeu um cideral. Depois a potiguar me soletra uma coalisão. Bom para a mato-grossense, que me parece mais bem preparada que a classificada no sábado retrasado...
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O pesadelo
Este assunto foi um pedido da Gisele. Este post, então, é dedicado a ela.
Toda disciplina escolar tem a sua hora do pesadelo. É aquele assunto que desafia o mais obstinado CDF. Em Química, por exemplo, eu sofria nas delicadas e instáveis equações do cálculo estequiométrico. Na Matemática, penava nas contas da geometria analítica espacial.
Qual seria o pesadelo em Português? Acredito que haja outras dificuldades nas áreas mais específicas da matéria, mas no campo experimental, no dia-a-dia, arrisco a dar um palpite: é a flexão do infinitivo. Traduzindo:
Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?
Não há gramático nesta terra que crave uma regra. Os mais notáveis, como Gama Cury, Ernani Terra, Paschoal Cegalla, Pasquale e Sérgio Nogueira, concordam num ponto: depende do ouvido.
Quer dizer que vale tudo?
Não necessariamente. Casos cascudos como o exemplo acima são raríssimos, mas são comuns erros iguais a este:
A escola autorizou os alunos a viajarem para Minas Gerais.
O mesmo povo que prega a avaliação do ouvido (ou a eufonia) nos casos raros é taxativo em relação à frase acima: é errado, sim. Feio. Um deslize.
Vamos então tentar pôr fim a esse mar de dúvidas.
FICA NO SINGULAR...
1 - Quando o verbo é composto.
Reivindicamos estudar. Elas pretendem comprar a loja inteira!
2 - Quando o sujeito é o mesmo.
Eles recorreram à Justiça para derrubar a liminar. Nós não temos motivos de nos orgulhar.
3 - Quando o verbo complementa outro verbo, um substantivo ou um adjetivo, ou quando complementa uma voz passiva.
Todos têm permissão de entrar no templo. Nós nos arrepiamos com a emoção de ver o show. Os candidatos estão proibidos de levar celulares. Nós ficamos cansados de ouvir falar de tanta corrupção. Os grevistas desistiram de negociar e farão piquetes, mas a empresa autorizou os gestores a cortar o ponto dos manifestantes.
VAI PARA O PLURAL...
1 - Quando há sujeito próprio.
O professor permaneceu de olho, mas não viu os alunos colarem. Os pesquisadores garantiram serem nocivos os repelentes à base de cloro.
2 - Para evitar dúvidas.
O presidente convocou os minstros para (*) sobre as novas medidas. Falar ou falarem? Depende. Se quem vai falar é o presidente, fica no singular. Se são os ministros, é falarem.
Agora é que a porca torce o rabo.
3 - Quando é voz passiva com verbo de ligação.
Lembram-se do exemplo lá de cima?
Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?
Não tem bem uma regra. A coisa é muito subjetiva, depende demais da avaliação da frase. No exemplo acima, a noção de voz passiva tem de estar muito viva na cabeça da pessoa. Lembram? A polícia prendeu os estudantes. Os estudantes foram presos pela polícia. Até aí, tudo bem. O problema é identificar isso no meio da frase, com um infinitivo, ainda mais amparado pela premissa de que não há norma acerca disso.
Existe um efeito-caneca para isso. Basta desmembrar a frase com um que:
Os estudantes fugiram para que não fossem presos.
Vêem como aí a voz passiva brota como cogumelos depois de uma tempestade?
Os trabalhadores aprovaram as reivindicações para serem cobradas na próxima reunião.
A banca examinadora preparará neste fim de semana os testes para serem aplicados mês que vem.
Outra dica: quando o termo em dúvida não tiver um plural anterior, como foi o caso do último exemplo, o infinitivo vai para o plural.
O assunto é polêmico, os casos, raros; mas para mim o tema detém o título de mais espinhoso do idioma. Por isso, deve ser estudado e debatido.
Espero não ter cansado vocês.
Toda disciplina escolar tem a sua hora do pesadelo. É aquele assunto que desafia o mais obstinado CDF. Em Química, por exemplo, eu sofria nas delicadas e instáveis equações do cálculo estequiométrico. Na Matemática, penava nas contas da geometria analítica espacial.
Qual seria o pesadelo em Português? Acredito que haja outras dificuldades nas áreas mais específicas da matéria, mas no campo experimental, no dia-a-dia, arrisco a dar um palpite: é a flexão do infinitivo. Traduzindo:
Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?
Não há gramático nesta terra que crave uma regra. Os mais notáveis, como Gama Cury, Ernani Terra, Paschoal Cegalla, Pasquale e Sérgio Nogueira, concordam num ponto: depende do ouvido.
Quer dizer que vale tudo?
Não necessariamente. Casos cascudos como o exemplo acima são raríssimos, mas são comuns erros iguais a este:
A escola autorizou os alunos a viajarem para Minas Gerais.
O mesmo povo que prega a avaliação do ouvido (ou a eufonia) nos casos raros é taxativo em relação à frase acima: é errado, sim. Feio. Um deslize.
Vamos então tentar pôr fim a esse mar de dúvidas.
FICA NO SINGULAR...
1 - Quando o verbo é composto.
Reivindicamos estudar. Elas pretendem comprar a loja inteira!
2 - Quando o sujeito é o mesmo.
Eles recorreram à Justiça para derrubar a liminar. Nós não temos motivos de nos orgulhar.
3 - Quando o verbo complementa outro verbo, um substantivo ou um adjetivo, ou quando complementa uma voz passiva.
Todos têm permissão de entrar no templo. Nós nos arrepiamos com a emoção de ver o show. Os candidatos estão proibidos de levar celulares. Nós ficamos cansados de ouvir falar de tanta corrupção. Os grevistas desistiram de negociar e farão piquetes, mas a empresa autorizou os gestores a cortar o ponto dos manifestantes.
VAI PARA O PLURAL...
1 - Quando há sujeito próprio.
O professor permaneceu de olho, mas não viu os alunos colarem. Os pesquisadores garantiram serem nocivos os repelentes à base de cloro.
2 - Para evitar dúvidas.
O presidente convocou os minstros para (*) sobre as novas medidas. Falar ou falarem? Depende. Se quem vai falar é o presidente, fica no singular. Se são os ministros, é falarem.
Agora é que a porca torce o rabo.
3 - Quando é voz passiva com verbo de ligação.
Lembram-se do exemplo lá de cima?
Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?
Não tem bem uma regra. A coisa é muito subjetiva, depende demais da avaliação da frase. No exemplo acima, a noção de voz passiva tem de estar muito viva na cabeça da pessoa. Lembram? A polícia prendeu os estudantes. Os estudantes foram presos pela polícia. Até aí, tudo bem. O problema é identificar isso no meio da frase, com um infinitivo, ainda mais amparado pela premissa de que não há norma acerca disso.
Existe um efeito-caneca para isso. Basta desmembrar a frase com um que:
Os estudantes fugiram para que não fossem presos.
Vêem como aí a voz passiva brota como cogumelos depois de uma tempestade?
Os trabalhadores aprovaram as reivindicações para serem cobradas na próxima reunião.
A banca examinadora preparará neste fim de semana os testes para serem aplicados mês que vem.
Outra dica: quando o termo em dúvida não tiver um plural anterior, como foi o caso do último exemplo, o infinitivo vai para o plural.
O assunto é polêmico, os casos, raros; mas para mim o tema detém o título de mais espinhoso do idioma. Por isso, deve ser estudado e debatido.
Espero não ter cansado vocês.
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