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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Todos comemora e nós pega o peixe

Vocês se lembram da polêmica do nós pega o peixe?

O bafafá já vai fazer dois anos: foi em maio de 2011. Um livro com o aval do MEC defendia a tese de que construções com erro de concordância podiam ser aceitas, não eram crimes hediondos. Era o Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender.

Na ocasião, logo me veio à cabeça a moda do #todoschora e afins. Parece que passou, porque não vejo muitas hashtags como aquela por aí.

Houve caça às bruxas às autoras, que depois desconversaram, alegando que jamais quiseram ensinar errado.

Sei não: na minha época, livro didático era espécie de bíblia; o que lá estava era verdade absoluta, não podia ser questionado. Acredito que hoje, mais do que nunca, essa aura deva ser mantida.

Se existe norma culta, o livro deve ensiná-la e estimulá-la. Isso é bem diferente de discriminar erros e tratar mal quem errou.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O pesadelo

Este assunto foi um pedido da Gisele. Este post, então, é dedicado a ela.

Toda disciplina escolar tem a sua hora do pesadelo. É aquele assunto que desafia o mais obstinado CDF. Em Química, por exemplo, eu sofria nas delicadas e instáveis equações do cálculo estequiométrico. Na Matemática, penava nas contas da geometria analítica espacial.

Qual seria o pesadelo em Português? Acredito que haja outras dificuldades nas áreas mais específicas da matéria, mas no campo experimental, no dia-a-dia, arrisco a dar um palpite: é a flexão do infinitivo. Traduzindo:

Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?

Não há gramático nesta terra que crave uma regra. Os mais notáveis, como Gama Cury, Ernani Terra, Paschoal Cegalla, Pasquale e Sérgio Nogueira, concordam num ponto: depende do ouvido.

Quer dizer que vale tudo?

Não necessariamente. Casos cascudos como o exemplo acima são raríssimos, mas são comuns erros iguais a este:

A escola autorizou os alunos a viajarem para Minas Gerais.

O mesmo povo que prega a avaliação do ouvido (ou a eufonia) nos casos raros é taxativo em relação à frase acima: é errado, sim. Feio. Um deslize.

Vamos então tentar pôr fim a esse mar de dúvidas.

FICA NO SINGULAR...

1 - Quando o verbo é composto.

Reivindicamos estudar. Elas pretendem comprar a loja inteira!

2 - Quando o sujeito é o mesmo.

Eles recorreram à Justiça para derrubar a liminar. Nós não temos motivos de nos orgulhar.

3 - Quando o verbo complementa outro verbo, um substantivo ou um adjetivo, ou quando complementa uma voz passiva.

Todos têm permissão de entrar no templo. Nós nos arrepiamos com a emoção de ver o show. Os candidatos estão proibidos de levar celulares. Nós ficamos cansados de ouvir falar de tanta corrupção. Os grevistas desistiram de negociar e farão piquetes, mas a empresa autorizou os gestores a cortar o ponto dos manifestantes.

VAI PARA O PLURAL...

1 - Quando há sujeito próprio.

O professor permaneceu de olho, mas não viu os alunos colarem. Os pesquisadores garantiram serem nocivos os repelentes à base de cloro.

2 - Para evitar dúvidas.

O presidente convocou os minstros para (*) sobre as novas medidas. Falar ou falarem? Depende. Se quem vai falar é o presidente, fica no singular. Se são os ministros, é falarem.

Agora é que a porca torce o rabo.

3 - Quando é voz passiva com verbo de ligação.

Lembram-se do exemplo lá de cima?

Os estudantes fugiram para não ser ou serem presos?

Não tem bem uma regra. A coisa é muito subjetiva, depende demais da avaliação da frase. No exemplo acima, a noção de voz passiva tem de estar muito viva na cabeça da pessoa. Lembram? A polícia prendeu os estudantes. Os estudantes foram presos pela polícia. Até aí, tudo bem. O problema é identificar isso no meio da frase, com um infinitivo, ainda mais amparado pela premissa de que não há norma acerca disso.

Existe um efeito-caneca para isso. Basta desmembrar a frase com um que:

Os estudantes fugiram para que não fossem presos.

Vêem como aí a voz passiva brota como cogumelos depois de uma tempestade?

Os trabalhadores aprovaram as reivindicações para serem cobradas na próxima reunião.

A banca examinadora preparará neste fim de semana os testes para serem aplicados mês que vem.

Outra dica: quando o termo em dúvida não tiver um plural anterior, como foi o caso do último exemplo, o infinitivo vai para o plural.

O assunto é polêmico, os casos, raros; mas para mim o tema detém o título de mais espinhoso do idioma. Por isso, deve ser estudado e debatido.

Espero não ter cansado vocês.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Um blog de Português!?

Pode parecer, a princípio, um contra-senso.

Mas eu juro que não é: por mais que se diga que a Norma Culta passe longe da Internet, que ninguém em sã consciência vá se preocupar em escrever e falar direito em bate-papos, blogs, podcasts e o que mais surgir, sem nosso idioma a rede furaria.

Para começar, vamos esquecer esse negócio de 'Norma Culta'. É chato. Não é difícil confessar torcer o nariz diante dela. Traz consigo aquelas regras da gramática, aquela decoreba de separação de sílaba, a redação de vestibular em que não se pode cometer um deslize.

Fazer pouco da 'Norma Culta', porém, não quer dizer que este blog vá esculachar a língua. Não! Pelo contrário. Esqueçamos os paladares exóticos como o blablablá telegráfico de MSN e afins. Aqui vai ter arroz-com-feijão. O idioma no seu cotidiano, no uso corriqueiro, mas bem-aprumado. E sem chateações!

Espero, ao longo dos dias, fazer do Português um tema interessante. Para isso, não vamos perder tempo com regras, normas e exceções. Aqui vai ter tira-dúvidas? Vai. Vai ter discussão sobre polêmicas? Quem sabe!

Vai ter crucificação de gente que maltrata o idioma? Não. Não porque nosso idioma é difícil, é complicado, é cheio de detalhes cuja maioria eu desconheço. Em vez de apontar os erros, por que não mostrar as soluções?

Esse é o desafio.

Ah, vamos combinar. Norma Culta, ainda que a respeitemos, é o cacete. De agora em diante, é Alto e Bom Português.

Alto porque nossa língua é linda e deve ter o devido destaque; Bom porque deve ser correto, direito, sem vícios.

Estamos conversados?