sábado, 29 de março de 2008

Mais sobre a reforma ortográfica

A queda de alguns acentos já foi tema de um post aqui. Ontem o Jornal Hoje voltou a falar do assunto. A novidade? O governo quer que as novas regras imperem já no ano letivo que vem. O que isso muda na sua vida? Dizem que menos de 2%.

Acontece que Portugal ainda tem oferecido alguma resistência. Reza o acordo, porém, que basta a adesão de três dos oito países que vivem o português para se aplicar a mudança. Isso já aconteceu. Aposto, contudo, que vai rolar muita politicagem até lá.

Depois não reclamem de paranoia.

Em breve, numa banca perto de você...

Prepare-se para a batalha!!!

domingo, 23 de março de 2008

Deus e o diabo na terra dos sinônimos

Consultar dicionários pode ser uma atividade extremamente divertida!


E não me refiro apenas a palavrões que só existem na Medicina ou na Botânica. Falo das surpresas que pululam de onde menos se espera.


Sinônimos, por exemplo, podem nos surpreender. E eu me escangalhei de rir ao tomar conhecimento de duas constelações de palavras que usamos com freqüência.


A primeira é diabo; a segunda, meretriz.


Ambas têm quase uma centena de sinônimos — e não estou contando as derivações menores.

Comecemos pelo... hum. Vejam abaixo os nomes mais engraçados e escolham como chamá-lo:

anhangüera, arrenegado, azucrim, beiçudo, belzebu, bode-preto, bute, cafuçu, cão-miúdo, cpa-verde, capeta, capiroto, chavelhudo, cifé, cramulhano, demonho, demontre, diangras, diogo,
grão-tinhoso, jurupari, má-jeira, moleque-do-surrão, pedro-botelho, peneireiro, romãozinho, sapucaio, temba e zarapelho.

Agora vamos ver quantas palavras são sinônimo de Deus:

deidade, diva, divindade, nume e potestade.

Viram? Isso dá uma tese. Por que na Terra diabo tem uma centena de sinônimos e deus não tem? Porque Ele não quer que se indexe Seu santo nome em vão? Mesmo que os dicionaristas do Houaiss tenham tido certa preguiça — todo-poderoso e criador, por exemplo, constam como sinônimos, mas não dentro do verbete —, é inegável a criatividade para chamar o... cão-miúdo.

Uma pegadinha: qual o feminino de todo-poderoso? Toda-poderosa? Não. É todo-poderosa. Assim como escrevemos todo-poderosos. Tem a ver com a composição.

Agora vamos para uma constelação bem mais divertida. E que encerra uma polêmica.

alcouceira, andorinha, bagageira, bisca, bucho, cadela, caterina, courão, cróia, dadeira, decaída, égua, galdéria, galdrapinha, horizontal, jereba, lúmia, messalina, mundana, murixaba, paloma, pécora, rameira, rongó, tolerada, vadia, vulgívaga e zoina.

Acabou? Temos ainda mulher à-toa, mulher da comédia, mulher da rótula, mulher da rua, mulher da vida, mulher da zona, mulher de amor, mulher de má nota, mulher do fado, mulher do pala aberto, mulher errada, mulher perdida, mulher pública, mulher vadia...

Engraçado. Se você procurar por médica no Houaiss, vai ver que é uma "certa espécie de alfafa". Eles não dizem que é "mulher que exerce a Medicina". Então por que listar prostituta? Prostituto já não bastava, segundo a ordem machista dos dicionários?

Entre sem bater

Taí uma mensagem que me embola a cabeça até hoje.

Quando alguém dependura numa porta uma placa de entre sem bater, é para a pessoa entrar direto, sem dar aquelas batidinhas de "com licença?" à porta, ou é para a pessoa entrar e, delicadamente, evitar que a porta feche com um estrondo típico de brutamontes?

sábado, 22 de março de 2008

Vítima fatal

Vítima fatal é o caraleo!

Acredito ser essa uma das armas de destruição em massa que uns poderosos estão usando para nos dizimar. Eles apelam para uma lavagem cerebral a fim de espremer, dentro da palavra, um sentido que para mim não tem sentido. Mas pode ver: todo dia alguém comete uma vítima fatal.

O Houaiss diz que fatal é quem mata, não quem morre! Já o Aulete cedeu às pressões e admite o fatal ativo e o fatal passivo.

Meu argumento é um só: você usa vítima mortal? Ainda que se recorra à expressão restos mortais, o termo indica algo tenebroso, que tira a vida.

Para mim, a única chance de ter uma vítima fatal é quando um cara está limpando a janela, perde o equiílibrio e cai do décimo andar bem em cima de uma senhorinha de andador, matando-a na hora.

sábado, 15 de março de 2008

Soletrando dois-em-um

Minha preguiça me impediu de escrever sobre o Soletrando da semana passada.

Como tomei vergonha na cara, aproveito agora para falar das duas últimas eliminatórias.

Semana passada, uma menina esbarrou num ressucitar. Muita gente ainda tem dúvidas sobre onde tem sc e onde não tem. De todo o caso, é uma palavra comum, ainda mais em tempos de Páscoa. A menina vacilou.

Pela palavra que desclassificou a segunda menina, dá para imaginar até onde a peleja foi: septifoliolado. Hein? Quando a ouvi, não tinha a menor idéia do que significava. A garota grafou com C e levou bomba. Eu ia grafar com S, mas não de sete, como ensina o dicionário, mas sim de séptico. Não tem nada a ver. Esse palavrão vem da botânica e se aplica às folhas que têm sete 'gominhos'.

Hoje a briga foi boa, garanto. Deu um dó danado quando a menina gaúcha, uma graça, por sinal, tascou alemanzinhos. Foi uma pegadinha: plural de diminutivo derruba os iniciantes. É quase uma expressão matemática. Alemão, alemães; alemãozinho, alemãezinhos. A única forma de diminutivo no plural ir com S é quando a palavra já o tiver, como lapisinho, paisinho.

Daí travou-se um duelo entre Pernambuco e Bahia que teve direito até a subsidiária e vicissitude. Nessa, eu parei: é primeiro com SS? Tem SC? O problema se dá porque essas palavras, mesmo entre nós, redatores, são muito raras. Pois não é que a menina acertou de cara? Fui atrás do dicionário. Vicissitude é uma sucessão de mudanças. Crei uma dica para não errar mais: é o vício de mudar. Vício é com C; logo, vicissitude também.

Se a palavra acima não me é comum, a que derrubou a pernambucana vira e mexe me aparece: pára-choques. Sabem como é, acidentes eu tenho todo dia no jornal. A menina acertou o mais difícil — o acento —, mas errou no hífen. Pôs párachoques. E parou por aí.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Bem-me-quer...

Eu tenho uma fórmula infalível para as confusões entre bem/bom/mal/mau!

É normal trocar um pelo outro. Afinal, ninguém tem a obrigação de saber quem é advérbio, quem é adjetivo. Aliás, desconhecer o que é advérbio não é crime, vamos combinar!

Vamos ao que interessa. A dica é sempre pegar o caminho do bem. Se você tem dúvida entre mal e mau, pense no contrário: os bons sempre vão fazer a diferença.

- Aquele sujeito não presta. Sempre quer levar os outros para o (*) caminho.

E aí? Mal ou mau?

Pegue o caminho do bem. Seria o bem caminho ou o bom caminho?

Outra:

- Caraca, hoje eu estou um trapo. Acordei me sentindo (*) à beça.

O que eu quis dizer com essa brincadeira? É muito mais fácil você identificar entre bom e bem o que soa melhor; nossos ouvidos dirão. Daí, é só se lembrar dessa regrinha:

Mau - O u é quase um o. Então, o contrário de mau é bom.

Mal - O l é comprido como um e. Então, o contrário de mal é bem.

Entendido?

Pegadinha malcriada

Confesso que titubeio em relação a palavras que começam com mal-. Têm hífen? São coladas? O jeito é ir ao dicionário.

Contribui para essa dúvida uma pegadinha danada. Malcriado, por exemplo. É o indivíduo que faz muita... malcriação?

Pois nem toda a peraltice do mundo há de fazer uma coisa dessas. O correto, segundo os alfarrabistas, é má-criação.

E vocês verão que faz sentido. Qual o contrário de malcriado? Bem criado. Mas não existe bem criação, existe boa criação.

Querem ficar ainda mais confusos? O dicionário registra malcriadez. Não, as regras não foram mandadas às favas. Isso daí é uma derivação própria...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Nada haver ou nada a ver?

Já vi muita gente escrever chagas do tipo:

- Uma coisa não tem nada haver com a outra.

Sim, é uma chaga, mas não vamos crucificar ninguém por causa disso. Há uma lógica para o erro: haver está freqüentemente associado a existir. Daí, a pessoa acha que uma coisa não coexiste com a outra e manda esse Gato com J.

Não, nada a ver é uma expressão. Significa ter relação, ter vista com.

Mas nada haver é errado?

Em Portugal, onde haver também é sinônimo de receber — daí deriva haveres —, se fala ter a haver. Donde a gente chega a nada a haver como sinônimo de nada a receber.

Parônimos inúteis

E por falar em escangalhado, palavra que consta da minhas preferidas, acabei de descobrir que ela tem um parônimo.

Escangalhar é quebrar, causar desarranjo. Sei lá, soa mais simpático que avariar. Acho que escangalhar sempre está associado às artes de um menino malcriado.

Escanganhar não tem nada a ver. É o ato de retirar as uvas da haste. Daí deriva uma escanganhadeira. Lindo, não é?

Outra da Itália

As línguas latinas se parecem, mas nem tanto.

A gente, dentro da nossa ignorância, acha que sabe traduzir livremente por aí as palavras só porque acredita que não há diferenças gritantes.

Este caso não se trata de uma diferença gritante, mas é engraçado.

No orelhão, minha mãe penou para conseguir fazer uma ligação — talvez porque, à época, estávamos acostumados a telefones públicos menos modernos. Na terceira tentativa vã, ao pôr o fone no gancho, ela viu no visor algo como scanciare, scangliare, eu sei lá. Quem souber italiano por favor me ajude. Mas aí ela perguntou:

- Scanciare é escangalhado?

Não, não era. Por intuição, essa palavra significava tire do gancho. Não estava escangalhado.

Noiva-cadáver

Essa é velha. Diria que é tão ou mais anciã quanto a confusão envolvendo bicha/fila em Portugal.

Uma vez, na Itália, vendo um comercial de TV, eu me surpreendi. Era um anúncio de um sabonete, não me lembro bem, mas era típico: tinha aquela moça recém-saída do banho, pele limpa, passando o tal produto. No fundo, a narração destoou:

- ...com'è mórbida...

Engraçadíssimo! Mórbido, em italiano, quer dizer macio. Fofo igual à noiva-cadáver.

terça-feira, 11 de março de 2008

Iósceles

Foi o meu camarada Gustavo de Almeida quem percebeu o escorregão. Sim! Confesso o crime!

Eu jurava que isósceles não tinha o primeiro S. Será que meu livro de Matemática estava errado? Será que o detalhe me escapou? O próprio Sérgio Nogueira admitiu que a raiz iso- é traiçoeira, que não há uma regra clara sobre quando temos o SC.


Isso me faz lembrar um velho teste de percepção. Está em inglês, mas quem não sabe a língua de Shakespeare também pode fazer. Quantas letras F há na frase abaixo?

FINISHED FILES ARE THE RE
SULT OF YEARS OF SCIENTI
FIC STUDY COMBINED WITH
THE EXPERIENCE OF YEARS...

Três? Não, seis. Já provaram que o F em of não é, digamos, percebido.

Pois eu não percebi que o primeiro S de isósceles faz muita falta, ao contrário do segundo.

Em tempo: a folga de uma semana foi involuntária. Retomarei os trabalhos e aguardo a visita de vocês.

sábado, 1 de março de 2008

Agora há pouco, no Soletrando

Eu jurava que isósceles não tinha o primeiro S. Será que meu livro de Matemática estava errado? Será que o detalhe me escapou? O próprio Sérgio Nogueira admitiu que a raiz iso- é traiçoeira, que não há uma regra clara sobre quando temos o SC.

Em todo o caso, o que derrubou o guri do Tocantins não foi o SC. Ele soletrou ixóceles. Gato com J? De modo algum. Ele deve ter pensado em executar, em que o inconstante X tem som de Z. Foi, para mim, a mais ingrata palavra da rodada.

Já o candidato do Distrito Federal pecou ao tascar ombridade, sem H. Mais um caso de erro por desconhecimento de vocabulário.

Já o representante mineiro, um humilde jovem do Vale do Jequitinhonha, falou a frase de efeito mais honesta e tocante até agora. Não me lembro exatamente, mas era algo assim: 'Apesar da pobreza, o Vale do Jequitinhonha tem gente de valor'. E ele provou esse valor ao corretamente soletrar extensão. Ainda que a edição da apresentação lhe tenha sido extremamente favorável.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

'Hinferninzação'

Outra grande dificuldade da língua diz respeito ao hífen. É, com perdão do trocadilho, um hinferno.

Existem duas categorias principais de uso. Há o hífen de super-homem e há o hífen de dona-de-casa.

O primeiro é o hífen dos prefixos, que têm inúmeras regras. Normas, aliás, que a reforma ortográfica quer apagar. Realmente, não faz sentido você hinfernizar extra-oficial e escrever antiinflamatório tudo junto. Isso seria nivelado por baixo: praticamente tudo perderia o hífen, salvo em super-reforma. Alegam que aí você tem o som de três erres.

O que vocês podem saber para simplificar a vida é que a grande parte das palavras prefixadas não pede hífen. Isso só poderá ocorrer - e depende ainda do prefixo - se o que vier depois do tracinho for vogal, H, S ou R.

Megacondomínio? Supercasa? Internacional? Bicentenário? Hexacampeonato? Tudo sem hífen.

Já o outro círculo hinfernal é o da derivação de sentido. Quando duas palavras se juntam para formar uma outra acepção, costuma-se pôr hífen.

O braço direito dele ficou preso no portão.

Então? Tem ou não tem? Se for o braço, não, obviamente. Mas se for o homem de confiança, tem. Braço-direito.

Outro caso duplo: quando você sofre com enxaqueca, você tem dor de cabeça. Quando alguma coisa aporrinha você, é uma dor-de-cabeça.

Existem exceções — claro, o que seria o português sem elas —, mas eu proponho uma rebelião em prol da lógica. Alguns dicionários registram sem hífen termos que ao meu ver deveriam ter, como homem forte (no sentido de ser o maior braço-direito).

Assim, proponho a regra: mudou o sentido? Hífen. Como em alto-mar.

Mar alto

Não é um Gato com J, mas mancha.

Como se chama essa novelinha que o Renato Aragão protagoniza esta semana, antes de Malhação?

Poeira em alto mar. Sentiu falta de alguma coisa?

Sim, faltou um hífen. Alto-mar tem hífen.

E daí? Como já disse, não é um Gato com J. Mas não custava nada um programa voltado para crianças escrever direito.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Metapiadas

Já falamos de pleonasmo. Hoje falaremos de metalinguagem.

Soa chato? Vocês verão que não.

Metalinguagem é a língua que serve para se descrever ou descrever outra. É a língua falando da língua.

Já uma metapiada seria a piada dela mesma.

Eu conheço duas. Uma em português, outra em inglês.

A estrangeira foi tema de um documentário que anda passando na HBO. É a Piada dos Aristocratas. Já a nossa é a Piada do Tchu.

Ambas, na essência, não têm a menor graça. Para ter sucesso, dependem de quem as conta. Seguem a mesma fórmula: têm começo e fim. O meio fica por conta do piadista. Por serem livres, permitem devaneios, fugas, improvisações, encenações. Se a pessoa for talentosa, pode ser ovacionada.

Eis a fórmula dos Aristocratas:

- Um comediante procura um produtor e diz: 'Eu tenho um número maravilhoso para apresentar no seu teatro!!!'. O produtor: 'Como é?'. E o comediante começa.

Neste ponto entra a improvisação do cara. Americanos normalmente usam e abusam de toda sorte de devassidão, podridão e bizarrices sexuais entre uma família com pai, mãe e casal de filhos. Há quem inclua animais na orgia. O primeiro intuito não é chocar, mas fazer rir da situação esdrúxula.

Terminada a exposição, o comediante tem de voltar à fórmula.

- O produtor, então, pergunta: 'Ótimo número! Como se chama?'. E o comediante responde, gesticulando à Carmem Miranda: 'The Aristocrats!'

No documentário, todos elogiam o que seria o Picasso da Piada dos Aristocratas. É Gilbert Gottfried, num evento do playboy-mor Hugh Hefner. O vídeo está em inglês. ATENÇÃO: antes de clicar, vá preparado para muita baixaria.

Já a Piada do Tchu, apesar de tão infame quanto, é infinitamente menos pornográfica, quiçá casta. Sua fórmula é aberta, permite que o comediante estabeleça tempo, local e situação. Pode ser tanto na Idade Média quanto na esquina da sua rua.

Envolve basicamente o seguinte: um cara encontra um grupo que saúda, com cânticos e vivas, um tal de Tchu. A partir daí, o piadista tem de criar situações rocambolescas para dificultar a entrada desse cara nos adoradores do Tchu. Ou então principiar uma saga pelos grotões, inventando obstáculos para retardar o Encontro (é importante frisar a caixa alta). Há quem explore condições bizarras, como ter de usar um broche do Pokémon ou calçar sapatos bege para ser aceito.

Se o Aristocratas não depende de duração, o Tchu tende a fazer mais sucesso caso seja interminável. Quando o carrasco-piadista se certificar de que a audiência já está de saco cheio, deve seguir mais ou menos isto:

- Aí, o cara finalmente chega a uma caverna/templo/galpão/parque. Lá, encontra um fortão sem camisa/encapuzado/de batina com uma tocha acesa na mão e um balde d'água/em frente a uma poça/um lago. Cânticos evocam o Tchu num volume que cresce a cada instante. O fortão, então, com uma voz de trovão, grita para a multidão: 'VOCÊS QUEREM VER O TCHU???'. No que a turba clama por sua presença, ensandecida, o fortão ergue a tocha e a enfia na água: TCHUUUUU...

Conhece uma versão inusitada? Conte para a gente.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Soletrem isso

Sugestões para queimar os neurônios dos pequenos soletradores do Caldeirão do Huck:

Auscultação - é o que o médico faz para saber se o coração está acelerado ou se o pulmão está chiando. O aparelho, o auscultoscópio, também é uma boa pedida.

Bacineta - bacia pequena.

Bacterioplânctones - conjunto de bactérias que vivem entre os plânctons. Dessa cepa vem também a bacteriotoxemia, que é a medição de toxinas desses bichos no sangue. O x é igual ao de táxi.

Isso vai demorar. Continuo depois.

Sujeito quem?

Muita gente ainda não sabe usar vírgula.

Um dos Gatos com J mais comuns é separar sujeito do predicado com vírgula.

Os alunos, se esqueceram de entregar o trabalho a tempo.

Olhando assim, vocês possivelmente exclamarão:

- Mas não é possível!

A língua, meus caros, tem suas armadilhas.

Quem nunca cometeu infrações de trânsito em toda a vida, merece um prêmio.

Quanto maior o sujeito, maior a chance de cair uma vírgula no lugar errado. E sujeitos-quem são mestres em induzir a pessoa ao erro.

Isso porque normalmente um sujeito-quem pode vir cheio de penduricalhos, como no exemplo que dei acima. A leitura da frase também sugere uma 'pausa' que faz a mão coçar para enfiar a maldita vírgula.

O assunto não se esgota aqui. Mas vamos combinar: sujeitos-quem, assim como todos os outros, não pedem vírgula antes do predicado.

Em toda a parte ou em toda parte?

É, de novo, aquela velha história.

Ao pé da letra, em toda a parte seria a parte inteira. No caso, quando a gente quer dizer que algo ocorre em qualquer lugar, o melhor é dizer em toda parte.