sábado, 23 de março de 2013
A árvore da Pompeu Loureiro
terça-feira, 19 de março de 2013
Desabrigados e desalojados
A rigor, pelo dicionário, são sinônimos. No jornalismo — e acredito que no jargão dos bombeiros e da Defesa Civil também —, há uma pequena diferença.
Um desabrigado é aquele que perdeu tudo: sua casa foi destruída pelas águas ou por deslizamento de terra.
Já o desalojado é o sujeito que teve de sair momentaneamente de casa, seja por ela estar em área de risco, podendo cair, seja por ela ter sido inundada. Pode voltar a morar lá, se assim o considerarem as autoridades competentes.
Diferenças à parte, ambos precisam da boa ação de voluntários e sobretudo de doações.
terça-feira, 12 de março de 2013
Algarismos romanos
Muita coisa, já que eles ainda são bastante frequentes. Volta e meia aparecem em nomes de lugares, colados em monarcas e, sobretudo agora em tempos de conclave, ordenando Papas.
Lá no jornal eu propus acabar com os romanos. A Folha de S.Paulo, por exemplo, já os aboliu por lá.
Polêmica à vista!
Num jornal popular, o algarismo romano pode causar estranheza. Claro, há os consagrados, como Praça XV e João Paulo II, e os mais simples, como Marcelo III (um dos inúmeros possíveis novos nomes do sucessor de Bento XVI).
Mas o próprio nome escolhido por Joseph Ratzinger não é dos mais fáceis, concordemos.
Há uma lenda urbana que reproduz a dúvida de um pedestre no Centro do Rio: "Amigo, por favor, onde é a Praça Piócs? Era a Pio X, ali perto da Candelária. E possivelmente há quem se refira àquela via que corta o Morro Azul, no Flamengo, de Rua Paulo Vi.
Acabar com os romanos seria um brinde à ignorância e ao empobrecimento ou um movimento de clareza e simplificação?
Talvez possam contra-argumentar que abolir os romanos é o mesmo que relaxar na norma culta.
Eu não sei; acredito que há, sim, espaço para tolerar erros, pois nenhum fundamentalismo é bacana. Mas a norma culta se fortaleceu como o correto; os romanos, no meu entender, sempre foram uma alternativa. Nunca foi errado escrever Praça 15 no lugar de Praça XV.
(No caso dos topônimos, ou nomes de lugares, sempre defendi o uso dos arábicos. Não fazia sentido escreverem Praça XV e não Boulevard XXVIII de Setembro, o que realmente é esquisito.)
Romanos persistem mais por tradição do que por funcionalidade. São como roupagens bonitas, mas que não chegam a todos os leitores. Principalmente num jornal. Por isso, defendi o ajuste definitivo.
Era comum grafar em romanos o ano de criação de alguma obra (filmes, por exemplo). Vamos lá, quem consegue de prima dizer quando foi MCMLXXVIII? Dica: foi o ano em que nasci. Estou velho.
Com a virada para o século 21, a coisa simplificou. É simples escrever MMXIII. Mas não é mais simples 2013?
O que vocês acham?
segunda-feira, 11 de março de 2013
E nem
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
A tsunami ou o tsunami?
Mas não vem de onda? E onda não é feminino?
Vai entender.
Ah, tsunami vem do Japonês: tsu (porto) e nami (onda ou mar). Logo, é a onda do porto? Talvez seja a onda que quebra no porto. Ou que quebra o porto...
E aí deixo vocês com a 'Grande onda de Kanagawa', do mestre Hokusai.
Tromba-d'água e cabeça-d'água
Uma tromba-d'água é a velha chuva de verão: aquele toró que desaba de uma vez só, geralmente no fim do dia, e que causa transtornos bem na volta para casa. Em suma, é uma chuvarada curta e grossa.
A cabeça-d'água também é curta e grossa e até vem 'de cima'. Igualmente faz estragos no chão. Mas depende de um rio. É aquela súbita cheia que ninguém espera e que pode arrastar o mais incauto.
Meu pai sempre me contou de cabeças-d'água. Tanto, que a recomendação era não tomar banho de rio e evitar margens quando chovia no alto da montanha, mesmo se cá embaixo tivesse sol. Bastava uma tempestade lá em cima para o leito absorver a água e aumentar o volume do rio.
Quilômetros abaixo, com a força da gravidade, o rio se transforma em onda, mas ela é traiçoeira e chega sem avisar.
Muita gente perdeu a vida assim.
Então, uma tromba-d'água no alto do morro pode provocar uma cabeça-d'água rio abaixo.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Gente, vamos aceitar a muçarela!
Sei lá, achava um troço horrível, uma aberração, uma mutação genética da Língua Portuguesa.
Eu era tão fundamentalista que defendia mussarela. Como numa desobediência civil.
Dicionários colaboravam com esse motim e previam mozarela e o italiano muzzarela.
Mas aí a pessoa estuda, envelhece e evolui. E passei a sentir pena de muçarela.
Dia desses meu mestre Sérgio Duarte Nogueira estava justamente explicando por que não devemos tacar pedra em quem escreve muçarela. E os alicerces do Português corroboram a tese.
Palavras em Tupi são escritas com Ç, como açaí e suçuarana. O Italiano e o Espanhol também pedem Ç quando temos Z, como é o caso de plaza e piazza. Não escrevemos prassa. É praça. Por isso, muçarela.
Vamos acabar com anos de preconceito! Vamos dar à muçarela o reconhecimento que a palavra merece!
Todos comemora e nós pega o peixe
Na ocasião, logo me veio à cabeça a moda do #todoschora e afins. Parece que passou, porque não vejo muitas hashtags como aquela por aí.
Houve caça às bruxas às autoras, que depois desconversaram, alegando que jamais quiseram ensinar errado.
Sei não: na minha época, livro didático era espécie de bíblia; o que lá estava era verdade absoluta, não podia ser questionado. Acredito que hoje, mais do que nunca, essa aura deva ser mantida.
Se existe norma culta, o livro deve ensiná-la e estimulá-la. Isso é bem diferente de discriminar erros e tratar mal quem errou.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Por quê?
terça-feira, 19 de abril de 2011
Tenebroso inverno
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Capitãs e presidentas
A própria campanha de Dilma Rouseff ainda não se decidiu. Confesso que eu também não tenho opinião definitiva sobre o assunto. A questão não é se está ou não no dicionário. O problema é o costume 'machista' do idioma - o mesmo que se manifesta e é aceito na frase Maria, Joana, Patrícia, Fernanda e José saíram cansados da festa.
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp, para os íntimos) registra as duas formas. Caso Dilma vença, negar chamá-la de presidenta alegando ser erro não procede.
A discussão é interessante. Vejamos nas Forças Armadas. Há na caserna quem defenda o uso das patentes exclusivamente no masculino. O Volp reconhece, numa rápida busca, capitã, soldada e marechala.
Vamos combinar que marechala não soa lá muito bonito. Mas e capitã? Dia desses nós nos deparamos com o caso de uma policial militar que se inscreveu no concurso para Rainha do Carnaval. Veio a dúvida de como fazer o título. Como vocês reagiriam a Capitão da PM quer ser musa da folia?
Por outro lado, tenho na ponta da língua um argumento contra patentes no feminino. Como seria no caso de cabo? Caba? Não à toa, não consta do Volp.
Entenderam como é complicado? Causa estranheza. Por que podemos dizer a capitã e somos obrigados a escrever a cabo? Mas se algumas palavras têm correspondentes no feminino, caem os argumentos contra o seu uso. Vão dizer o quê? Que é feio?
O que vocês acham?
sábado, 24 de abril de 2010
Propriedades
Ambos eram críticas bem fundamentadas e construtivas a este blog.
Gostaria imensamente de ter respondido a cada um prontamente, como rezam as boas maneiras. Mas só agora posso dar a atenção que os dois merecem.
O primeiro a escrever é Valter Luiz, acerca do post sobre incidente e acidente. Ele questiona para o fato de que nossa definição simplificou demasiadamente a diferença.
Ele atenta para o fato de que, no Direito Trabalhista, incidente e acidente trazem outras definições.
O outro comentário partiu de Camila, que com muita propriedade se dispôs a corrigir um post vindo do Formspring.
Não sei onde eu estava, mas o curto parágrafo, sobre usos da palavra escopo, era um amontoado de incorreções.
Ela encerra seu comentário dizendo que não admite que jornalistas, advogados e afins tomem para si a árdua tarefa de compreender a estrutura e o funcionamento da língua por meio de uma gramática normativa qualquer (...)
Embora os comentários tenham sido deixados em posts diferentes, eles têm muito em comum. Temos especialistas em sua área questionando, de um certo modo, a 'autoridade' deste blog em dizer o que é certo e o que é errado.
(E quando o próprio blog erra, tenho de admitir, merece todo puxão de orelha. Uma releitura não faz mal a ninguém)
Eu sou jornalista. Trabalho como revisor e redator — e descobri minha carreira não apenas por gostar de escrever, mas sobretudo por gostar de escrever corretamente. Sempre tive muita atenção ao que seria impresso no dia seguinte.
Não sou formado em Letras. Sigo a tal da gramática normativa qualquer na hora de revisar os textos. Também levo em igual consideração a clareza, a objetividade e principalmente o interesse. De que adianta, num jornal, um texto correto, mas sem interesse?
Ser jornalista dá propriedade para falar de linguagem? Tenho a convicção de que sou ignorante em muitas, muitas questões. Mas sei também que por mim passam muitos erros. O dever de corrigi-los e a obrigação de evitá-los me torna um defensor. Defesa, vamos deixar claro, de um português sem erros, de textos sem algumas pragas. Afinal, embora não seja de Letras e ignore usos do idioma em outras áreas, como o Direito, sempre estudei e sempre estudarei para isso.
Um jornalista não pode ajudar nessa defesa?
Acredito que sim. E sei que posso contar com todos. E é por isso que os dois comentários, tema deste post, me deixaram muito satisfeito.
sábado, 10 de abril de 2010
Tenho travado uma discussão séria com alguns colegas que insistem em substituir abrangência por escopo. Isso decorre de uma tradução mal feita de normas da ABNT e de uma famigerada seita chamada PMI, que traduzem project scope para escopo do projeto.
Creio tratar-se de uma recém-nascida praga das língua. A do inglês que mais me irrita é a contrução 'ele teve a cada invadida'. Essa do escopo nem é tão grave, embora temos sinônimos de sobra para defenestrá-la. Sugiro que continue defendendo a real tradução.
que curiosidade realitavamente ao verbo polir! :)
É no mínimo interessante. Eu pulo o carro significa saltar sobre ele ou deixá-lo lustroso? As duas coisas... verbos irregulares nos divertem tanto!
O que você acha de pessoas que dizem "pra mim fazer", "me vê dois pastel e um caldo de cana" etc.?
Não devemos crucificá-las, porque há várias línguas dentro do português, e é pedante exigir que todos respeitem a norma culta o tempo todo. Há situações para ela, e é nelas que devemos nos focar. Corrigir quem fala 'pra mim fazer' é muito bem-vindo, desde que sem tacar pedras. Se pelo menos um de nós defender a norma culta, estaremos conservando-a.
Procura-se indentificar as pessoas ou procuram-se indentificar as pessoas? Quero saber qual das sentenças está correta e porque? Obrigada
Aqui nós temos uma construção com dois verbos. Substitua 'identificar as pessoas' por 'isso'. Teremos, então, 'Procura-se isso', no singular, como nos manda a regra quando usamos sujeito indeterminado. A coisa seria diferente se no lugar do 'isso' tivéssemos 'identidades'. Aí teríamos voz passiva sintética, e seríamos obrigados a escrever 'Procuram-se identidades'.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
irá + infinitivo
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Plural de cores
Estaria errado dizer camisas cinza?
E como classificar bermudas azul-amareladas?
Vejam no Meia Hora de domingo.

